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02 Julho 2008

Azagaia regressou do Porto

Falei-vos há bocado do cantor Ziqo, regressado à faina artística. E agora falo-vos do Azagaia (Edson da Luz, de seu nome), que actuou no Porto e regressou já a Moçambique. Veja aqui e aqui vídeos da sua actuação naquela cidade portuguesa.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Afinal somos irmãos socialistas...

Segundo o Correio da Manhã de hoje, "O Movimento para a Mudança Democrática (MDC), de Morgan Tsvangirai, foi esta semana admitido como “observador” da Internacional Socialista, durante o XXIII Congresso da organização, que está a decorrer até hoje em Lagonissi, nos subúrbios de Atenas. O estatuto de observador é em geral a primeira etapa antes da adesão a uma família de que já fazem parte, entre mais de 160 outros partidos, o ANC, sul-africano, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)."
Obrigado ao Egídio Vaz por me ter enviado a referência.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Emoções e patrões comandam


Enfim, depois do tsunami social que afectou a sua vida (lembrem-se do tal filme pornográfico e do esquadrinhamento policial), Ziqo, o grande comandante dos sentidos musicalizados, regressou e, segundo o "Magazine Independente" desta semana, parece que regressou em proa, com disco de platina. E regressou fazendo-se acompanhar do grande comandante patronal, do “patrão é patrão”, o Sr. Mc Roger. A vida parece ser assim: emoções e patrões comandam, razões e pruridões obedecem. Pensar demais chateia, não é? Recorde aqui, aqui e aqui . Clique duas vezes com o rato sobre a imagem para a ampliar.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Dois linchados em Gaza acusados de feitiçaria

Cinco jovens lincharam uma mulher e um pastor de uma igreja na noite de segunda-feira (uma terceira pessoa conseguiu escapar), acusando-os de serem feiticeiros responsáveis pela morte de sete pessoas, na localidade de Chinhacanine, a cerca de 25 quilómetros da sede distrital de Guijá, província de Gaza. Os jovens encontram-se detidos. Confira aqui.
Este tipo de linchamentos por acusação de feitiçaria ocorre regra geral em zona rural. Estamos a estudar o fenómeno ao nível da Unidade de Diagnóstico Social do Centro de Estudos Africanos. Uma pesquisadora trabalha neste momento em Homoíne, província de Inhambane.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

01 Julho 2008

Zimbabwe: governo de transição até novas eleições?

O presidente Armando Guebuza terá recebido hoje de Robert Mugabe a garantia de que este negociará com a oposição no Zimbabwe um mecanismo destinado a trazer a paz ao país. Segundo o enviado da Rádio Moçambique (RM) ao Egipto, onde terminou hoje a cimeira da União Africana, pressões nesse sentido têm sido feitas pela União Africana e pela SADC. Pode acontecer que se forme um governo de transição até que haja condições para a realização de novas eleições - reportou o enviado da RM (noticiário das 21 horas).
Adenda: confira aqui o que El Mundo escreve sobre a exigência da União Africana para se formar um governo de unidade nacional no Zimbabwe ante um Mugabe enfadado (obrigado à Ana Alonso pelo envio da referência). Entretanto, com a situação prevalecente no Zimbabwe, com a incerteza do futuro, as economias regionais correm sérios riscos. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência. Use este tradutor para ler em português.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Os dois relatórios africanos sobre a eleição presidencial no Zimbabwe

Sobre a segunda volta da eleição presidencial no Zimbabwe - ganha por Robert Mugabe -, podeis agora consultar os relatórios, por mim já referidos neste diário, elaborados o primeiro pelos observadores do Parlamento Pan-Africano e o segundo pelos observadores da SADC, mostrando quanto a violência e a intimidação agiram sobre os eleitores. Importem aqui e aqui. Se querem ler em português, façam uso deste tradutor. O meu obrigado ao jornalista e professor Joseph Hanlon pelo envio.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Remédio contra a alta de preços nos combustíveis


O Ericino de Salema mandou-me a foto, eu localizei o portal que a tem. Tudo placidamente na Índia.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Linchado em Quelimane (36ª vítima de linchamento este ano a nível nacional)

Um indivíduo aparentando ter 28 anos foi sábado passado, cerca das 21 horas, linchado por espancamento por um grupo de alunos ajudados por residentes locais, no bairro Samugwe, periferia da cidade de Quelimane, acusado de tentar furtar um celular a uma aluna. A vítima ainda tentou fugir, mas não conseguiu. Consumado o acto, os linchadores fugiram. A polícia tomou conta do caso – informação fornecida hoje via telefónica por um jornalista sediado na cidade de Quelimane. É a primeira vez que um linchamento na cidade de Quelimane vem a público.
Com esta nova vítima, eleva-se para 36 o número de linchados este ano no país em zona urbana e péri-urbana, nos casos publicamente reportados - leia a minha última postagem aqui -, a saber: doze em Chimoio, dez na Beira, dez em Maputo, dois no Dondo, um em Vandúzi e agora um em Quelimane.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Invento o sonho no tchova-mota


Sabeis quanto amo o blogue do jornalista congolês Cédric Kalonji. Ele tem uma extraordinária capacidade de falar daquelas coisas da vida que não cabem nos blogues empolados, daquelas coisas de um dia-a-dia que parece sempre banal, que é frequentemente duro, doloroso. De falar das coisas e de as fotografar. Reparem, pela imagem, no criador de um tchova-mota original, lá por terras de Goma, no Congo. Entretanto, Cédric viajou para Kigali, capital do Ruanda, para lá orientar um curso de blogues. Fez testamento antes de partir, consciente dos riscos de viajar num avião saído do Congo. Para quem lê em francês, vale a pena saber das intermináveis formalidades da partida e, depois, das palmas de alegria e alívio quando se aterra...Se quer ler em português, faça uso deste tradutor.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

30 Junho 2008

Mugabe: presidente ilegítimo

Se alguns de nós ainda podiam colocar reservas quanto à credibilidade dos relatos feitos pela imprensa estrangeira sobre a violência política no Zimbabwe, agora, com os relatórios primeiro do Parlamento Pan-Africano e a seguir, mais decisivamente, da missão de observadores da nossa SADC, as reservas terminaram: Robert Mugabe é um presidente ilegítimo, ele não é o presidente do Zimbabweanos. A sua eleição é uma farsa, um insulto ao seu povo. Os votos que o elegeram estão manchados de intimidação, de agressão e de sangue.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Eleição no Zimbabwe não expressa vontade popular (observadores da SADC)

Através do porta-voz José Marques Barriga, ministro angolano da Juventude e Desportos, a missão de observadores da SADC deu hoje a conhecer o seu relatório sobre a segunda volta da eleição presidencial da qual saiu vencedor Robert Mugabe. Conclusão simples: a votação não expressa a vontade do povo zimbabweano devido à intimidação (despacho do jornalista Paulino Morteiro, Rádio Moçambique, noticiário das 19:30). Este é o segundo relatório africano crítico, após o do Parlamento Pan-Africano.
Aqui está uma posição honesta que deve ser saudada.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

General queniano escreveu aos generais do Zimbabwe dizendo-lhes que são uma desgraça para o povo e para África

Um general queniano na reforma, Daniel Opande (na imagem), escreveu aos generais do Zimbabwe para dizer-lhes que eles são "uma desgraça para o povo e para África" (sic). Confira aqui. Se quer ler em português, use este tradutor).
Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, pelo envio da referência.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Novo questionário

Do lado direito deste blogue encontra-se um novo questionário, referente ao Zimbabwe. Obrigado antecipado pela participação.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Letrário Editora: primeira editora online

O Letrário, empresa de consultoria em Língua Portuguesa, acaba de lançar a primeira editora on-line, exclusivamente dedicada à publicação de contos originais e inéditos. Na Letrário Editora, o acesso aos contos publicados é totalmente livre.
Ana Carolina Carvalho, Casimiro de Brito, Fernando Esteves Pinto, João Camilo, Laís Chaffe, Luís Ene, Paulo Kellerman, Rogério Castanheira, Urbano Tavares Rodrigues, Wilson Gorges são os escritores com que a Editora acaba de se lançar.
A Letrário Editora, cuja criação foi inspirada no projecto de responsabilidade social do Letrário (O Nosso Coração é Vegetal), tem três objectivos:
. promover a leitura em suporte digital, de modo a evitar o abate de árvores para fabricação de papel,
. promover a criação de novos textos em Língua Portuguesa,
. fomentar a leitura de textos em Língua Portuguesa, divulgando novos talentos e talentos já reconhecidos.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Respostas a questionários

Sabeis que, com alguma regularidade, tento avaliar a vossa opinião sobre certos temas mediante questionários. Por exemplo, estão neste momento, do lado direito deste blogue, cinco questionários com temporalidades distintas, sobre: processo de Bolonha (22 respostas), xenofobia na África do Sul (58 respostas), eleições no Zimbabwe (91 respostas), razões da exoneração de Tobias Dai, ex-ministro da Defesa (104 respostas) e causas dos linchamentos (138 respostas). O tipo de questionários de que me socorro não permite fazer uso de variáveis-chave, por forma a cruzá-las. Mas permite, pelo menos, duas coisas: (1) avaliar o interesse dos leitores (e) avaliar os suas posições.
Ora, não só me apraz registar o interesse continuado dos leitores, como, também e especialmente, a preocupação de muitos em evitar o primarismo e a causalidade unívoca. Não são poucos aqueles que optam por considerar uma causalidade múltipla. Assim, por exemplo, xenofobia e linchamentos são fenómenos que devem ser encarados de forma multifactorial. Igualmente não são poucos aqueles que entendem que os questionários são omissos em questões ou em variáveis que deviam ter sido consideradas para melhor avaliação. Isso demonstra a grande cultura dos leitores, facto que muito me honra e muito me orgulha.
Dentro de alguns minutos os questionários vão ser retirados, mas vai surgir um sobre o Zimbabwe.
Espero que continueis a participar. Muito obrigado.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Blog da Comunicação

Este diário figura numa lista de blogues recomendados pelo portal brasileiro Blog da Comunicação. Obrigado ao jornalista Guilherme Freitas pela honra. O portal será também inserto na minha lista de elos.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

UA: nenhuma crítica ao regime de Mugabe

No início da 11. ª cimeira da União Africana, hoje no Egipto, nenhum líder africano criticou o regime de Mugabe, de acordo com o enviado da Rádio Moçambique (RM), João de Brito Langa. A tónica incidiu nos esforços colectivos que os Africanos devem fazer para resolver os problemas básicos do continente, aí compreendidos os conflitos. Mas o jornalista reportou um relatório da Human Rights Watch que documenta a violência e a intimidação no Zimbabwe. Na continuidade do noticiário das 12:30, o locutor da RM deu conta da posição do Canadá - vai aplicar sanções ao Zimbabwe - e da China, que entende não deverem elas ser aplicadas.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Curo-tudo e vim do Congo!


Creio ser crescente o número de cura-tudo que afluem do estrangeiro ao nosso país e, especialmente, a esta cidade atractiva no mercado das crenças que se chama Maputo. Os cura-tudo ocupam um importante espaço neste diário. E como o Chagas Levene sabe disso, mandou-me, uma vez mais, a foto exposta, desta vez tirada no Bairro Patrice Lumumba. Obrigado, Chagas. Clique duas vezes com o lado esquerdo do rato sobre a imagem para a ampliar.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

As mãos africanas de Pilatos (7) (continua)

Prossigo a série.
Por mais que me custe, como cidadão, escrever o que vou escrever, escrevo que, do ponto de vista político, o regime de Mugabe nada tem de irracional, não é produto da barbárie. É apenas intensamente....político. E é tão mais político quão mais hostilizado é. O problema consiste em encontrar a lógica que permeia o sistema, a chave que permite a sua inteligibilidade.
Por exemplo, o recurso permanente, a todos os níveis, na imprensa e nos comícios, aos sacrifícios da luta de libertação nacional - garante de legitimidade - aparece como a caução irrevogável de actos que não podem ser moralmente nem criticados nem criminalizados na óptica zanuísta. A tese do regime é a de que quem passou sacrifícios tem o direito de governar como bem lhe apetece, tem o direito de recusar quem não veio do Olimpo da guerrilha, quem, do Ocidente, tem o descaro de querer impor regras. De resto, é em nome do Povo e para o povo que o regime afirma governar.
Sim, claro, o regime da ZANU tem inimigos. Quando Mugabe e seus generais apontam sistematicamente o dedo ao imperialismo anglo-americano, tem parcialmente razão. Este imperialismo é real, pertence à geo-estratégia política, é intrusivo, é mandão, é destrutivo, é canibal, foi em parte devido às políticas e às pressões das instituições financeiras internacionais que surgiu "o fenómeno de pobreza extrema nas cidades, do crescimento desmesurado de bairros da lata nas zonas péri-urbanas das cidades assim como da economia informal." Mas a situação agravou-se muito "quando Robert Mugabe autorizou pagamentos não orçamentados aos "veteranos de guerra" em Novembro de 1997 na ordem dos 5 biliões de dólares Zimbabueanos e autorizou o envio de tropas para a RDC em meados de 1998."
Radicalizada pela crítica internacional sistemática, embarcada numa economia que designa de socialista, a elite da ZANU é inteligente, politicamente hábil: dispara contra o imperialismo e contra os brancos – portanto para os feiticeiros externos - no preciso momento em que tudo faz para ocultar os processos ínvios de acumulação de capital, o enriquecimento, a exploração interna, as alianças com outros imperialismos menos críticos ou absolutamente não críticos da gestão das sociedades (caso do imperialismo chinês), no preciso momento em que opera numa retórica populista e que busca apoio popular usando a luta armada, a raça, o sangue (raça e sangue fazem regra geral parte do alfobre fascista) e a imputação de natureza estrangeira ao MDC e de Tsvangirai, justamente para se proteger dessa nova frente elitária, sucessora da eliminada elite de Joshua Nkomo (os recursos minerais e as florestas, entre outras riquezas naturais, dão para muita coisa. E para muita disputa política).
Está bem, está bem: mas onde estamos agora no tocante às mãos africanas de Pilatos? E que atitude vamos agora tomar perante um regime rapidamente re-instituído desde ontem?
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Golpe de Estado e jogo político (1)

A segunda volta da eleição presidencial no Zimbabwe levou-me a interrogar-me sobre a natureza do golpe de Estado. E ao fazer isso interroguei-me e interrogo-me, também, sobre a modernidade do cenário político africano.
O que é um golpe de Estado? Um golpe de Estado é a tomada do poder pela força, à margem da lei. Digamos que a figura clássica do golpe de Estado consiste no derrube de um governo através de uma acção militar. A Wikipedia oferece o seguinte quadro: “Um Golpe de Estado costuma acontecer quando um grupo político renega as vias institucionais para chegar ao poder e apela para métodos de coação, coerção, chantagem, pressão ou mesmo emprego direto da violência para desalojar um governo. No modelo mais comum de golpes (principalmente em países do Terceiro Mundo), as forças rebeladas (civis ou militares) cercam ou tomam de assalto a sede do governo (que pode ser um palácio presidencial ou real, o prédio dos ministérios ou o parlamento), às vezes expulsando, prendendo ou até mesmo executando os membros do governo deposto.”
Portanto, um golpe de Estado tem, na sua morfologia geral, dois aspectos clássicos: (1) é um acto violento de natureza castrense e (2) é um acto executado de fora (por um grupo grupo rebelde) para dentro (contra o grupo gestor do Estado). Portanto, num golpe de Estado a figura subversiva reside no grupo que exteriormente põe em causa o poder central constituído.
Mas pode um golpe de Estado ser efectuado por quem já está no poder, por quem o controla? Ser efectuado de dentro para fora? Estar contra a lei parecendo estar dentro dela?
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

29 Junho 2008

Arcebispo Tutu apela à intervenção no Zimbabwe

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Prémio Nobel da Paz, instou a comunidade internacional a intervir no Zimbabwe, inclusivamente mediante recurso a uma força de paz da ONU. Confira aqui em espanhol. Se quer ler em português, use este tradutor. Obrigado à Ana Alonso pelo envio da referência.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Mugabe declarado vencedor (e já tomou posse)

Segundo a BBC, citando a Comissão Eleitoral do Zimbabwe, o presidente Robert Mugabe, 84 anos, foi declarado vencedor por "esmagadora maioria" da eleição presidencial de sexta-feira. Eis os resultados:
Robert Mugabe: 2,150,269
Morgan Tsvangirai: 233,000
Spoiled ballots: 131,481
Voter turnout: 42.37%
Source: Zimbabwe Electoral Commission
Confira aqui. Use este tradutor para ler em português.
1.ª adenda às 18:48: rapidez surpreendente na saída dos resultados (creio que de um universo de seis milhões de eleitores inscritos), na véspera da cimeira da União Africana, a começar amanhã no Egipto. Vamos agora aguardar as reacções, vamos ver como reage a SADC, vamos a ver como vai reagir o nosso país, como vão reagir os partidos políticos, como vai reagir o presidente Guebuza, vamos a ver quem vai à cerimónia de tomada de posse para um mandato de mais cinco anos.
2.ª adenda às 19:09: na sua habitual coluna no semanário "Domingo" desta semana (p. 5), um histórico da Frelimo, Sérgio Vieira, criticou severamente o regime de Mugabe. Vamos aguardar pela postura de outros históricos e, mesmo, dos que, não sendo históricos, têm o dom do verbo neste país.
3.ª adenda às 19:30: leia os possíveis cenários para o Zimbabwe pós-eleitoral de acordo com a BBC.
4.ª adenda às 19:48: segundo a Rádio Moçambique (em despacho do seu enviado a Harare, Paulino Morteiro), Mugabe já tomou posse como presidente da República. No seu primeiro discurso, pediu aos zimbabweanos unidade e crença na capacidade nacional de governação. O presidente segue para o Egipto já como chefe de Estado (noticiário das 19:30). Surpreendente rapidez na tomada de posse. E fascinante como o jornalista descreveu tecnica, placida e longamente os resultados obtidos, sem qualquer referência à forma como a eleição foi realizada.
5.ª adenda às 23:56: uma vez mais leia-se a forma como o jornalista Lázaro Manhica descreve a reeleição e o empossamento de Mugabe, na edição online do "Notícias" de amanhã, já disponível aqui.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Bispos católicos sul-africanos criticam severamente regime de Mugabe e de seus generais

Os bispos católicos da África do Sul condenaram duramente as "atrocidades" e o "barbarismo" (sic) do regime de Mugabe. As acções do regime merecem "rigorosa censura" (sic) - disseram -, as acções "do Sr. Mugabe e as dos seus generais, das suas esposas, dos seus apoiantes e dos chamados "veteranos de guerra" são ofensivas aos olhos de Deus. O julgamento aguarda" (sic) - acrescentaram. Confira aqui a carta dos bispos em inglês. Se pretender ler em português, use este tradutor. Obrigado ao Ricardo, meu correspondente em Paris, por me ter enviado a referência do portal.
Observação: reparem no silêncio sepulcral das igrejas de Moçambique.
1.ª adenda às 12:55: em documento apresentado esta manhã num hotel de Harare, observadores do Parlamento Pan-Africano declararam que a eleição presidencial do dia 27 não foi nem justa nem livre. Em ambiente tenso, hostil e volátil (sic), foram observados altos índices de intimidação e violência em todas as províncias do país, pessoas mortas e casas queimadas. Enquanto isso, aguarda-se para esta tarde o ponto de vista dos observadores da SADC (Rádio Moçambique, noticiário das 12:30).
2. ª adenda às 15:22: notícia confirmada por esta fonte.
3.ª adenda às 15:24: o jornal governamental zimbabweano The Herald continua silencioso, sem anunciar a vitória de Robert Mugabe. Confira aqui.
4.ª adenda às 17:20: membros dos Tory MPs britânicos acusados de possuirem acções em companhias que suportam o regime de Mugabe, considerado pelo The Independent como violento e agora ilegal. Dinheiro do sangue - assim intitula o jornal. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo pelo envio da referência.
5.ª adenda às 18:03: a Comissão Eleitoral do Zimbabwe adiou para amanhã a divulgação dos resultados da eleição presidencial de sexta-feira, na qual Robert Mugabe foi o único concorrente. O presidente da comissão excusou-se a revelar as razões do adiamento. Enquanto isso, Mugabe viajará para o Egipto para estar presente na cimeira da União Africana que amanhã começa (Rádio Moçambique, noticiário das 18 horas).
6.ª adenda às 18:13: o Barclays Bank poderá sofrer sanções da União Europeia por ter permitido a abertura de contas a dois altos funcionários do gabinete do presidente Robert Mugabe. Confira aqui. Obrigado ao Ricardo pelo envio da referência.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Tinta vermelha

Com excepção do jornal governamental zimbaweano The Herald, não consegui encontrar um jornal online que escrevesse que a eleição presidencial de 27 no Zimbabwe foi livre, que as pessoas puderam votar livremente. Os indicadores são no sentido de uma massiva campanha de intimidação. Não ter o dedo com a tinta vermelha indelével, foi e é sinal de desobediência ao regime, como, aliás, já tinha sido sugerido neste diário. Confira por exemplo aqui. Ou neste jornal indiano. Se quer ler em português, use este tradutor. Entretanto e de acordo com a FolhaOnline, o vice-ministro da Informação do Zimbabwe, Bright Matonga, "disse que os governos estrangeiros precisam respeitar o Zimbábue. "Eles devem ver o país como um parceiro por causa do que temos a oferecer ao mundo e por causa de nossa estabilidade, nossa educação e de nossos recursos minerais", disse, segundo a rede americana de notícias CNN" (deste último portal reproduzi a imagem à direita). Finalmente, sugiro-lhe que continue a acompanhar a minha série sobre o Zimbabwe.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Livro de afectos


Editado em Abril, o livro é da autoria de Maria de Lurdes Brassard, tem ilustração do pintor Roberto Chichorro e prefácio da escritora Lília Momplé. Nele podemos encontrar dezenas de receitas da nossa rica e multicultural culinária. Quer provar peixe à Lumbo? Frango à zambeziana? Xincua? Xiguinha com feijão nhemba? Então experimente as receitas desta obra cuidada, linda, um livro de afectos como escreveu Lília. Parabéns à Milú!
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Apenas Deus poderá remover-me


Um cartoon do dia 26 do excelente cartoonista sul-africano Zapiro, a propósito de Robert Mugabe e do Zimbabwe. Confira aqui.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Zenaida

Vivo, ágil, atento, crítico, irónico (quanta falta faz a ironia nos nossos blogues!), com excelente selecção de cartoons, estrangeiro à verborreia chata e ao intelectualismo balofo, doce quando necessário: este o blogue da Zenaida. Um testemunho exemplar na blogosfera moçambicana.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

28 Junho 2008

Zimbabwe (resultados conhecidos ainda hoje?)

Leia aqui sobre o Zimbabwe e sobre alguns resultados eleitorais. E saiba que Bush exige agora mais sanções contra Mugabe e "seus aliados", falando em "governo ilegal" e "eleição fraudulenta". O jornal governamental zimbaweano The Herald ainda não exibe resultados oficiais.
Se quer ler em português, use este tradutor.
1.ª adenda às 22:10: o Canadá tenciona aplicar sanções diplomáticas ao Zimbabwe.
2. ª adenda às 23:11: parece que os votos já estão contados e eventualmente ainda hoje poderão começar a ser divulgados. Se assim for, será impressionante a rapidez da contagem, se tivermos em conta o que se passou na primeira volta.
3. ª adenda às 00:01 de 29: A Rádio Moçambique acaba de informar que se aguarda a saída dos resultados (em contagem manual) da eleição presidencial de anteontem, podendo Robert Mugabe ser proclamado presidente da República ainda hoje. A polícia advertiu de que não tolerará desordem (noticiário). É agora possível confirmar a rapidez impressionante da contagem.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

As mãos africanas de Pilatos (6) (continua)

Prossigo a série.
Parece ser mais fácil, bem mais visível, analisar um lado da reforma agrária encetada em 2000 (um ano depois do nascimento do MDC) no Zimbabwe, porque aí as coisas surgem a duas cores: os pretos contra cerca de quatro mil famílias brancas. E surgindo a duas cores, o fenómeno desperta uma imensa reacção de brancos e de pretos, dá origem a toda uma pujante adrelanina racializante.
Tenho para mim que era injusto uma porção significativa da terra estar nas mãos de uma minoria. Tenho para mim que houve e há muito cinismo internacional na forma como se procurou e se procura transformar (racializando-a) uma exigência legítima na quase razão de ser da crise zimbabweana, tanto mais que tempo houve em que Washington e Londres sustentaram o regime de Mugabe. E, finalmente, tenho para mim que não podemos santificar o MDC e Morgan Tsvangirai, vê-los como puros Robins Hoods exclusivamente preocupados com o povo.
A virulência dos ataques da ZANU ao MDC (transformado no ariete do imperalismo e no óbice à genuína reforma agrária) requer recordar dois fenómenos quanto a mim importantes: a decapitação da elite Ndebele seguida da perseguição do seu povo e o enriquecimento na campanha militar congolesa. No primeiro caso gerando o monopólio do poder, no outro assegurando as bases do enriquecimento da elite da ZANU-PF.
Ora, tudo o que parece, à superfície, sugerir a demência de Mugabe ao estar optimista e calmo face aos resultados da eleição presidencial de ontem, tudo o que parece ser não é, afinal: na realidade, o optimismo de Mugabe tem razão de ser, Mugabe que é o ícone de uma elite que enriqueceu e tudo fará para proteger os seus privilégios, através de um exército, de uma polícia e de forças para-militares poderosas (tudo leva a crer que hoje é uma junta militar que governa o país e por isso não nos devemos surpreender com as constantes intervenções de comandantes militares enquanto produtores de opinião no jornal governamental zimbabweano, The Herald).
Todavia, a elite da ZANU sabe bem - e há muito tempo - que está a ser contestada nacional, regional e internacionalmente. E sabe bem que faz face a uma nova elite, forte e desejosa de chegar ao poder desde 1999, a elite traduzida no MDC e em Morgan Tsvangirai, uma elite que é, de alguma forma, a sucessora indesejável daquela que a ZANU decapitou no tocante aos Ndebele.
Quando Mugabe disse ontem que seria magnânimo com a oposição caso vencesse a eleição, ele limitou-se a dizer que a ZANU estava finalmente disposta a admitir uma partilha de poder que, porém, assegurasse a continuidade do monopólio do partido com uma pequena fatia distribuída ao MDC. Ele sabe bem que o espectro de contestação nacional, regional e internacional é, agora, grande. Por isso, embora estando ainda em posição de aparente vantagem interna, é para a ZANU conveniente recalibrar a correlação de forças, modernizá-la, adaptá-la, criar um semblante de partilha de poder, um governo de unidade nacional que permita a reprodução dos seus privilégios e satisfaça temporiamente a ânsia da elite concorrente, do MDC, um governo de unidade nacional que amorteça a indignação internacional e acalme a tempestade interna, um governo que de alguma maneira trave o efeito da acusação internacional de que o governo a sair da eleição de 27 é ilegítimo.
Sugestão: permita-me sugerir-lhe que leia o Bloomberg aqui. Se quer ler em português, use este tradutor.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Dialogar e chegar a um acordo

Não é uma boa coisa aplicar sanções contra o Zimbabwe, o melhor é fazer como se fez no Quénia: dialogar e chegar a um acordo – afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Moses Watangula, no decorrer de uma cimeira da União Africana realizada no Egipto. Enquanto isso, um jornalista zimbabweano afirmou que em alguns locais de votação no Zimbabwe havia muitos boletins de voto estragados. Confira aqui na BBC. Confira também o que escreve o The Herad a propósito da cimeira. Por outro lado, segundo a Reuters, indicadores apontam para uma grande vitória de Mugabe. Se quer ler em português, socorra-se deste tradutor.
Observação: creio que Watangula está a propor um Governo de Unidade Nacional de acordo com o modelo queniano. Leia ou recorde aqui.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Blogues pessoais actualizados

Foram actualizados cartas de amor, diário de um amante das palavras e lugar dos sonhos. Se calhar, em cada sábado habita o desejo de dar às coisas da vida a vida da palavra diferente e doce.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

Povo votou pela ZANU e pela terra – escreve "The Herald" feliz

O The Herald, jornal governamental zimbabweano, tem hoje um relato cheio de regozijo. Com efeito, reporta que o povo votou em massa e em paz na eleição presidencial de ontem. O retirado candidato Morgan Tsvangirai aparece referido como se tivesse participado. O Camarada (sic) Joice Mujuru, vice-presidente, surge a afirmar que a votação mostrou o cometimento da nação na defesa da terra. Por sua vez, o Camarada senador Josaya Hungwe aparece a afirmar que “isto é uma clara vitória da ZANU-PF e do povo do Zimbabwe”. O jornal anuncia que os resultados irão saindo à medida que estiverem prontos.
Entretanto, existem relatos afirmando que os Zimbabweanos foram forçados a votar. Confira por exemplo aqui. E leia ou recorde aqui.
Se quer ler em português, faça uso deste tradutor.
O verdadeiro sentido da história não está nos museus, mas nos actos que ainda não chegaram (Carlos Serra - 1996)

27 Junho 2008

As mãos africanas de Pilatos (5) (continua)

Vamos lá mais andar um pouco mais nesta série, através de um curto texto de continuidade.
Tenho procurado mostrar que é necessário ver mais profundamente o problema da violência política, violência que está na raiz da postura assumida pelos críticos