O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá para todas e todos vós, obrigado por visitarem este diário, criado a 18 de Abril de 2006. Aqui encontrareis, diariamente, um pouco de tudo, do que gostais e do que não gostais. Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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02 julho 2015

Cadernos de Ciências Sociais: provas do 15.º e 16.º números

Recebi hoje a primeira prova editorial do 16.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", intitulado "O que são pobreza e pobres?". As correções serão entregues à editora na próxima segunda-feira, 08 horas locais, juntamente com as da primeira prova do 15.º número intitulado "Qual o papel da imagem na história?". Recorde aqui e aqui.

Diabolização racista

"Historicamente, quando o imperialismo europeu dominou a Ásia, a ideologia dominante usou um discurso de que os asiáticos eram seres bárbaros, sem civilidade, sem ética, sem sentimentos, atrozes. Praticamente não-humanos." Aqui.
Em Maio, célere e massiva, correu a notícia na mídia ocidental - de imediato replicada por jornais sensacionalistas, redes sociais tu-cá-tu-lá e blogues do copia-cola-mexerica - de que o presidente da Coreia do Norte, Kim Jong Un, mandou executar o ministro da Defesa com uma bateria anti-aérea. Aqui e aqui. Agora, a partir de uma notícia no "Mirror", o mesmo tipo de frufru com a notícia de que Kim Jong Un mandou matar o arquitecto responsável pelo projecto de um aeroporto. Aqui e aqui. Uma vez mais estamos perante um exercício cerrado de diabolização racista. Aqui.

Sobre a pobreza

Se excluirmos analisar relações sociais concretas seremos presas fáceis da teoria idealista de que a pobreza habita a cabeça, de que a pobreza é coisa de espírito ou de défice de espírito. Na verdade, nada é mais ingénuo do que supor que cada um de nós, com sua vontade, com o seu querer, de per si, é livre de mudar as relações sociais ou de as pôr ao seu serviço pela varinha mágica da vontade; do que supor que é com o esforço individualmente considerado que a vida muda em sua complexa teia relacional de recursos e de oportunidades desiguais. Semelhante tipo de suposições radica na crença de que o social é uma mera adição de indivíduos, uns melhores e outros piores, uns capazes e outros incapazes, uns regidos por Deus e outros, pelo Diabo.

Um grande problema

Um grande problema é que aprendemos a usar as palavras como se tivessem vida por elas-mesmas. Aprendemos que o bom e o mau existem em si-mesmos, aprendemos que há coisas boas e coisas más independentes das relações sociais, da conflitualidade dessas relações e da produção de pontos de vista e de etiquetas que, surgindo no interior da conflitualidade política, tornam-se dominantes e legítimos.

01 julho 2015

As duas cabeças da Renamo

A Renamo, proprietária de um exército privado, tem duas cabeças como o Jano romano: com uma olha para a frente e exige a despartidarização do Estado; com a outra olha para trás e exige a partidarização das forças de Defesa e Segurança, especialmente na chefia. Entretanto, recorde aqui.

Os pensadores do poder

Em todas as épocas históricas as sociedades tiveram aqueles que, libertados da produção material da vida, da produção das subsistências mais primárias da vida, tiveram e têm por função pensar a sociedade e, porque ao serviço dos gestores do poder, pensá-la de uma certa forma, pensá-la no sentido de que ela é a melhor, a mais correcta. E porque a mais correcta, não deve ser alterada.

Riquezas cognitivas e transformadoras

Excepcional é o país onde se discute não o que é, mas o que podia/devia ser. É aí – nesse questionamento, nesse plebiscito diário, nessa vertigem do futuro - que pode habitar uma das dimensões da eterna juventude de uma nação e do seu pleno desenvolvimento, desenvolvimento medido não em termos de riquezas naturais, de carvão ou de praias, mas em termos de riquezas cognitivas e transformadoras.

30 junho 2015

Nyusi inova

Segundo o jornal "O País" na versão digital, o Presidente da República, Filipe Nyusi, chegou a Quelimane num avião das Linhas Aéreas de Moçambique, abandonando o uso de helicópteros e recorrendo a viaturas para visitar distritos na província da Zambézia, em nome da austeridade do seu governo. Aqui.

Primeira prova editorial do número "Qual o papel da imagem na história?"

Recebi hoje da editora às 08 horas locais a primeira prova editorial do 15.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", intitulado "Qual o papel da imagem na história?"; entrego as eventuais correções próxima sexta-feira, às 08 horas locais. A autoria do número é de João Spacca de Oliveira do Brasil, Rui Assubuji de Moçambique, Osvaldo Macedo de Sousa de Portugal e Lailson de Holanda Cavalcanti do Brasil, de acordo com a sequência das fotos anexas.
Recorde a coleção aquiaquiaqui e aqui.

Brevemente segunda tiragem

A Imprensa Universitária da Universidade Eduardo Mondlane colocará brevemente no mercado uma segunda tiragem do livro [2010] com a capa em epígrafe. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Matriz da luta antiracial

A matriz da luta antiracial consiste não em trabalhar sobre os mecanismos infra-estruturais do sistema social que produz e reproduz a visão racial – das relações de produção aos sistemas educativos -, mas em defender a paridade das raças, em defender que as raças têm os mesmos direitos. Diferentes, mas iguais - para usar um cliché da moda. Nesta óptica, o problema não está na raça em si, mas na distribuição desigual de direitos raciais. O antiracismo é, muitas vezes, infelizmente, um mero biombo do racismo, seja este ofensivo ou defensivo. Nesta óptica, o problema não está na raça em si, mas na distribuição desigual de direitos raciais.

O que significa proclamar o fim da ideologia?

São vários aqueles que decretaram o fim da ideologia, entre os quais Daniel Bell e Francis Fukuyama, em meio a impugnadores do Estado social como Von Mises e Friedrich Hayek, de defensores acérrimos do Estado liberal enquanto única e última trincheira de democracia como Norbert Bobbio e de produtores do fim da dicotomia esquerda/direita como Anthony Giddens. O que, em última instância, significa proclamar o fim da ideologia? Significa proclamar o fim das diferenças sociais geradoras das lutas de protesto e recomposição, significa proclamar o fim dos mecanismos pelos quais se procura obscurecer a produção e a reprodução das desigualdades sociais, significa proclamar o fim do questionamento de um dado sistema de relações sociais, o sistema capitalista.

29 junho 2015

16.º e 17.º números dos "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora"

Entreguei hoje à "Escolar Editora", às 08 horas locais, o 16.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", intitulado "O que são pobreza e pobres?", com autoria de Kajsa Johansson da Suécia, Narciso Mahumana de Moçambique e Marcelo Medeiros do Brasil, fotos abaixo.
O 17.º número chamar-se-á "O que é sociologia?", com autoria de Vicente Paulino de Timor-Leste, Paulo de Carvalho de Angola e Ricardo Arruda do Brasil, fotos abaixo. Em breve começarei a trabalhar nele e proximamente dir-vos-ei quando o entregarei à editora.
Recorde a coleção aqui, aqui, aqui e aqui.

Dois portais

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

No "Savana" 1120 de 26/06/2015, p.19


Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Transformar a mentalidade, não a situação dos oprimidos

"Em suma, se tratará de transformar a mentalidade dos oprimidos, e não a situação que os oprime. Assim procede cinicamente, nos Estados Unidos, o Big Business. Serve-se das Public Relations para propagar entre os explorados os slogans que interessam aos exploradores. Criou a técnica da Human Engineering, que serve para dissimular a realidade material da condição operária por meio de mistificações morais e afetivas. Através de uma educação apropriada, de métodos de mando cuidadosamente estudados, esforça-se por convencer o proletário de que ele não é um proletário, mas um cidadão americano. E se ele recusa deixar-se manobrar, é considerado como um anormal, e inventou-se para ele uma terapêutica de "desrecalque"." (Beauvoir, Simone de, O pensamento da direita, hoje [1955]. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra S.A., 1972, p. 20, itálicos na obra.)

28 junho 2015

Sobre linchamentos [dados de 2009]

Sitemeter

Para os que usam o contador de visitas sitemeter em blogues, sugiro leiam isto aqui e aqui.

Apetência pelo homem providencial

Tal como anteriormente Samora, Chissano e Guebuza, Nyusi aparece com um ser providencial, capaz, por si só, de resolver não importa que problema na óptica dos que o prezam, dos que o adulam e, mesmo - suprema preversidade - dos que nele vêm apenas uma emanação amorfa dos presidentes anteriores. O apelo à excepcionalidade do grande homem representa, quase sempre, o eclipse das instituições, a falta de confiança nelas. Representa, também, um enorme desejo de divindades.

Ideologia segundo Samora Machel

"As ideias, os valores, os hábitos, os usos e costumes, o conjunto das normas inconscientes que regulam o comportamento quotidiano do indivíduo, são expressões da ideologia e cultura da sociedade existente. Acontece que todos nós nascemos e crescemos na sociedade exploradora, fomos profundamente impregnados da sua ideologia e cultura, por isso é-nos difícil e por vezes parece-nos impossível o combate interno, contra o que cremos constituir o nosso esqueleto moral. Arrancar de nós a ideologia e cultura exploradora para assumirmos e vivermos, no detalhe do quotidiano, a ideologia e cultura requeridas pela revolução, constitui a essência do combate pela criação do homem novo." - Excerto de um discurso deSamora Machel num simpósio de homenagem a Amílcar Cabral em 1973 - Bragança, Aquino de e Wallerstein, Immanuel, Quem é o inimigo (II). Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1978, p. 176.

Segunda edição no prelo com 477 páginas

Com a chancela da Imprensa Universitária da Universidade Eduardo Mondlane, estará brevemente disponível no mercado a segunda edição do livro com a capa e a contracapa em epígrafe, o qual, na primeira edição, foi publicado em dois volumes, saídos em 2008 e 2009.

27 junho 2015

Sobre a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pela Suprema Corte americana

Por quê?

Homem de calças ou de tronco nu não é problema; mulher de calças ou de mini-saia, é problema. Por quê? Porque é suposto transportar sexualidade pura, justamente a sexualidade pensada, desejada e criada pelos homens. Na história da humanidade, razão, história, pensamento, verticalidade, luz, alma e superioridade têm sido considerados apanágio dos homens; emoção, natureza, sensações, horizontalidade, trevas, corpo e inferioridade, apanágio das mulheres.

Normalidade

Chama-se a atenção do automobilista para o facto de que ao estacionar a viatura no passeio impede a passagem dos peões. Debalde, personagem mira-nos com estranheza e cólera, nós é que somos anormais, normais são ele e todos os outros que fazem da contravenção e da falta de respeito regras de comportamento urbano diário. E depois temos, no mesmo local, certos polícias que, rodeados da viaturas mal estacionadas, fazem o controlo rodoviário à espera do refresco dos automobilistas apressados.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1120, de 26/06/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

26 junho 2015

Desconstrutora de mitos politicamente úteis

A filósofa brasileira Marilena Chauí, várias vezes citada neste diário, é uma admirável desconstrutura de mitos politicamente úteis: "A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da idéia de “humanidade”, ou da idéia de “nação” e “pátria”, ou da idéia de “raça”, etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social das classes, mas por diferenças individuais dos talentos e das capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc." Aqui.

O "Homem"

Há uma palavra substantiva que faz a alegria de muita gente, essa palavra é o "Homem", como se o "Homem" fosse uma substância em si, independente de grupos, classes, culturas, nações e processos históricos.