Blogue seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos a este espaço, diariamente renovado desde 2006.Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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26 Julho 2014

O que disse Ana Paula segundo a UNAC

No portal da União Nacional dos Camponeses (UNAC), a propósito do corredor de Nacala e do ProSavana: "Nós mulheres, estamos a sofrer com a usurpação de terra, como mulheres nem podemos passar pelas terras onde o projecto está situado para buscar lenha, nem para tirar as raízes da terra que servem de medicamentos para as nossas famílias. Por isso, nós as mulheres estamos a passar muito mal com estas empresas que estão a usar a terra em Nampula e nas áreas ao arredor” revelou a camponesa e líder da UNAC, Ana Paula." Aqui.

25 Julho 2014

Prismas

Sem identificar as fontes, o "Notícias" de hoje reportou que o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, podia estar gravemente doente. Aqui. No "Sapo Notícias" de hoje também, Ivone Soares da Renamo é citada a dizer que Dhlakama goza de óptima saúde. Aqui.
Observação: parece ser razoável inserir esta luta de prismas no actual momento moçambicano - espécie de luta de trincheiras em crescendo -, oscilando como um pêndulo entre as negociações no Centro de Conferências Joaquim Chissano e as eleições gerais marcadas para Outubro.

Proximamente

Um livro

Prossegue a luta pelo monopólio político de régulos e secretários de bairros

Recorde o mesmo tema neste diário, em postagem de 21 de Junho, aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.
AdendaQuando falamos em poder temos, regra geral, a concepção de um poder amplamente visível, permanente, de um poder enorme, regra geral concentrado numa pessoa. O chefe geral, o presidente, o big boss: eis o que sensorialmente nos atrai e nos motiva, eis o percurso do nosso hábito persistente, a vertigem imediata da nossa ingenuidade e da nossa imensa reverência aos grandes homens - deuses profanos por nós construídos - e seus símbolos. Porém, o poder do grande, do boss, é em grande medida veiculado e adaptado pelos vasos capilares anónimos de um sistema, de todo um sistema, vasos que, por exemplo, no nosso caso, passam por régulos, chefes de quarteirão, líderes religiosos, intelectuais guarda-portas, jornalistas yes-yes, intérpretes, etc. Neste diário aqui.
Adenda 2 às 08:46: confira aqui.

Phishing

O meu sistema de segurança assinala e bloqueia phishing sempre que abro o "Notícias" digital, designadamente a sua secção política, seja qual for o motor de busca (Google Chrome, Firefox e Internet Explorer).
Pedido: pode algum leitor fazer o teste e dizer-me algo?

Genocídio na Faixa de Gaza

Adenda às 7:23: confira aqui.

Sexualidade de periferia

Por hipótese, a história da humanidade é, também, a história de repressão formal da sexualidade, a história tenaz do seu encaminhamento para áreas de sexualidade controlada, digamos que áreas de sexualidade de periferia, áreas de sexualidade sazonal (dança, boîtes, prostíbulos). E essa repressão é fundamentalmente um fenómeno urbano, burguês. O fundamental é dotar a sexualidade de uma existência de penumbra e, especialmente, poupá-la aos jovens em público. O secretismo do amantismo (tão bem descrito nos romances de Stendhal) é uma forma criticada, mas permitida em seu desvio para áreas "nocturnas", secretas.

Lixeiras

É nas lixeiras das cidades, como na do bairro de Hulene em Maputo, que todo um complexo processo de luta pela vida está organizado em torno de um mundo heteróclito de regras, de hierarquias e de gestão dos múltiplos objectos jogados fora pelas categorias sociais de bem-estar, com desempregados (entre os quais desmobilizados de guerra) tentando sobreviver, empregados ensaiando melhorar as suas condições de vida e crianças reinventando lazer e brincadeira.

A questão social

Primeiro frase de um texto do falecido sociólogo brasileiro Octavio Ianni: "Nas épocas de crise a questão social se torna mais evidente, como desafio e urgência". Aqui.

24 Julho 2014

27 entradas sobre Moçambique

A propósito dos 95%

Com o título "Governo e Renamo preparam acordo final para segunda-feira", no "O País" digital: "Depois de 65 rondas caracterizadas por avanços e recuos, divergências e intransigências, o Governo e a Renamo dizem ter chegado a consensos em 95% das questões em diálogo. [...] A suspensão dos ataques na zona Centro e o certificado de registo criminal de Afonso Dhlakama são indicadores de que as partes já tinham chegado a entendimento sobre os princi­pais pontos de discussão." Aqui.
Comentário: sem dúvida que é interessante, que é singular esta tentativa de rigor percentual. Não são 93 ou 91, mas 95%, exactamente 95%. Mas talvez esse não seja o ponto mais interessante. O ponto mais interessante talvez seja o de se estar eventualmente muito próximo de um acordo político pré-eleitoral, quer dizer, um acordo a nascer não da força dos votos, mas da força das armas, um acordo oriundo do ajuste castrense no terreno, um acordo cujo cerne é a redistribuição de recursos de poder e prestígio especialmente ao nível das forças de defesa e segurança. Mais: um acordo que parece dispensar os resultados das eleições presidenciais e legislativas marcadas para Outubro, ganhe quem ganhar. Mais profundamente ainda: podemos tornar-nos um país politicamente bipartidário que executa estatalmente eleições multipartidárias, ali praticando o real, aqui teatralizando o formal. As AKM talvez sejam, afinal, mais decisivas do que os votos, mesmo calando-se: uma perspectiva sombria, sem dúvida, mas que guarda o cordão umbilical da história, em seus actos físicos e simbólicos. E, mais decisivo ainda, não consta que haja senões nos registos criminais dos actores fundamentais da história política contemporânea do país.

Construção identitária no Facebook (facebooko, logo existo) (11)

Décimo primeiro número da série. Permaneço no ponto sexto do sumário proposto aqui6. Cinco padrões de construção identitária. Passo ao primeiro padrão de construção identitária: página confessional. A hipótese é a de que esta é a página mais comum no Facebook, a mais popular, a mais praticada. Através dela, as pessoas dizem claramente que existem, que têm uma personalidade, uma voz, mais raramente uma foto real (o anonimato é frequente), uma maneira de pensar, um determinado corpo, um conjunto de gostos de vários tipos. Viagens, fotos, feitos, receitas culinárias, ditos, chistes, anedotas, extractos de vida, confissões, citações, símbolos de riso ou de crítica: há todo um mundo variado de acções e de reacções. As pessoas saiem do círculo físico dos laços familares e grupo de amigos para entrar no círculo sem fim dos amigos digitais. Mas não só: o Facebook permite quer o reencontro de velhas amigas e de velhos amigos, quer a passagem dos amigos digitais aos amigos físicos, quer, ainda, a reaproximação de parentes distantes. A página confessional provavelmente serve para  combater a solidão e o isolamento em particular nas pessoas acima dos 60 anos, dando um sentido permanente à vida. E, no geral, parece fornecer a sensação, quase gustativa, de popularidade instantânea. O Facebook é, afinal, o ópio do povo.

Um relatório

Relatório com data de 14 de Julho deste ano aqui, referência jornalística em inglês aqui, referência jornalística em português aqui. Amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato.
Adenda às 05:42: confira também este relatório aqui.
Adenda 2 às 05:44: este diário psosui centenas de postagens alusivas ao saque da nossa madeira. A mais recente data de 14 de Junho do corrente ano, aqui.

23 Julho 2014

11 candidatos a Presidente da República

Onze pessoas candidatam-se a Presidente da República, confira no portal do Conselho Constitucional aqui.

Em prejuízo da lógica da floresta

Há muitas maneiras, conscientes ou inconscientes, de aceitar e justificar uma determinada ordem social. Uma delas consiste, ao nível da imprensa, no privilégio concedido ao singular, ao fantástico, ao depravado e ao ligeiro. Por outras palavras: tratar a árvore de forma incomum, em prejuízo da lógica da floresta.

Alcinda e Albie

A moçambicana Alcinda Honwana e o sul-africano Albie Sachs serão os dois conferencistas especiais da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane. Saiba um pouco sobre eles aqui, aqui e aqui.

22 Julho 2014

Baidu em português

A China tem o seu motor de busca Baidu agora em português, aqui. Vantagens de segurança assinaladas aqui.

Luta pelo monopólio político de régulos e secretários de bairros

A luta ocorre no município de Nampula e está exemplarmente descrita neste texto aqui.
Adenda: recorde neste diário um texto meu intitulado Vasos capilares do poder político, aqui.
Adenda 2 às 11:30: nem o "Wamphula Fax" nem o "Nova Era Electrónico" de hoje, editados em Nampula, se referem ao fenómeno.

Mais próximos e mais distantes

A cidade de Maputo tem cada vez mais condomínios, cada vez mais enclaves fortificados. Seja a partir da Embaixada da China na Avenida Julius Nyerere, descendo até ao Mercado do Peixe e percorrendo a Marginal, o Bairro do Triunfo, quase até ao restaurante Costa do Sol,  seja nas barreiras desde a Presidência da República até próximo do Clube Naval - engolindo a zona verde -, apercebemo-nos de quanto o rosto da cidade mudou, de quanto ela se povoou de condomínios, de enclaves fortificados. Já não é mais uma questão de construir uma moradia de luxo, mas de a ter num enclave protegido. E, também, já não é apenas uma mera questão da divisão espacial centro-periferia. Não se trata de criar barreiras pela distância, mas por sistemas de segurança especiais. Os enclaves fortificados são, a esse respeito, um exemplo cada vez mais generalizado, com os muros altos, cercas electrificadas, portões especiais de acesso, segurança electrónica, interfonia, guarda privada, etc. Os grupos sociais estão ao mesmo tempo mais próximos e mais distantes.

Gaza e gás

Na faixa de Gaza, sob impiedoso ataque e colonização de Israel, abunda o gás, recorde neste diário uma postagem de 2009, aqui.

21 Julho 2014

No "Savana" 1071 de 18/07/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei. 
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Para o bem ou para o mal

Quanto mais frágeis e escassas as forças produtivas de uma sociedade, mais aderentes as pessoas à ideia de que o comportamento e o destino sociais são produto de forças naturais ou de seres extra-humanos. Em cada para-raios ausente habita um espírito ou um deus, para o bem ou para o mal.

Construção identitária no Facebook (facebooko, logo existo) (10)

Décimo número da série. Ponto sexto do sumário proposto aqui6. Cinco padrões de construção identitária. Como tenho advertido, existem muitas zonas de penumbra no tema aqui tratado. Apesar disso, proponho cinco padrões de construção identitária, a saber: página confessional, página de propaganda religiosa, página de propaganda política, página jornalística e página científica. Qualquer destes padrões pode, porém, combinar-se com outros padrões, dando origem a produtos mistos.

Marx e Ucrânia: contra a “Realpolitik” infantil

"O que diria hoje Marx sobre a Ucrânia e a anexação da Crimeia pela Rússia?" - uma pergunta de Nicolás González Varela num texto de Abril deste ano com o título em epígrafe, aqui.

20 Julho 2014

Lá no Niassa

Amplie a imagem em epígrafe clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato. Em língua yaawokucela significa amanhecer. Sobre a província do Niassa, aqui.
Adenda às 18:07: sobre o roubo do desenvolvimento para outros desenvolvimentos, confira neste diário aqui.

A ilusão democrática

Extracto de um texto do filósofo e crítico cultural esloveno Slavoj Žižek: "Badiou acertou ao dizer que o nome do pior inimigo, hoje, não é “capitalismo”, “império”, “exploração” ou coisas do tipo, mas, sim, “democracia”. Hoje, o que impede qualquer genuína transformação das relações capitalistas é a ‘ilusão democrática’, a aceitação de mecanismos democráticos burgueses como únicos meios legítimos de mudança." No original em inglês aqui, em português aqui.

O regresso de George Orwell

Introdução de um trabalho de John Pilger: "Outra noite, assisti a 1984, de George Orwell, apresentada num teatro em Londres. O grito de alerta de Orwell, embora em montagem divulgada como ‘adaptação contemporânea’, apareceu-me como peça de época: remota, nada ameaçadora, quase tranquilizadora. Foi como se Edward Snowden nada tivesse revelado; como se o “Grande Irmão” [orig. Big Brother; é o personagem de 1984 que ‘vê tudo’] não fosse hoje um sistema gigante de vigilância digital; foi como se o próprio Orwell nunca tivesse dito que “Para ser corrompido pelo totalitarismo, não é preciso viver em país totalitário.” Aqui.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1071, de 18/07/2014, disponível na íntegra aqui:
Notas: de vez em quando um leitor queixa-se de não conseguir baixar o semanário "Savana" neste diário. Só tem de executar os seguintes três passos: clicar no "Disponível na íntegra aqui" da postagem, a seguir no "Baixar" do programa 4Shared e, a terminar, no "Baixar grátis" também do programa. Por outro lado, de vez em quando também me perguntam por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.