Blogue seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá, sejam bem-vindas e bem-vindos a este espaço, diariamente renovado desde 2006.Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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25 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (16)

Décimo sexto número da série. Escreveu um dia Clausewitz: "[...] a guerra já não é apenas um acto político, mas um verdadeiro instrumento político, uma continuação das relações políticas, uma realização destas por outros meios." [Arte e Ciência da Guerra. Lisboa: Edições Maria da Fonte, 1978, p. 40]. Talvez seja no quadro dessa posição que Simon Allison defendeu que a Renamo usou a guerra como estratégia política. Aqui.
Adenda às 07:14: cabeçalho de um texto no Africa Confidential, aqui.
Adenda 2 às 07:42: recorde o boicote da Renamo após as eleições de Dezembro de 1999, aqui.
Adenda 3 às 07:46: deputados da Renamo ocuparam os seus lugares na Assembleia da República em 2010, desafiando a ordem de boicote dada pelo seu partido. Aqui.
Adenda 4 às 09:36: segundo o semanário "Savana" de 24/10/1014, através de um texto do jornalista Francisco Carmona, resultados provisórios mostram vitórias da Renamo em cinco províncias (Manica, Sofala, Tete,Zambézia, Nampula), mas, observa o jornalista, "juntando com os votos do MDM a oposição fica também com Niassa". Aqui. Segue-se um mapa inserto na edição 1085 do semanário:

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1085, de 24/10/2014, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.
Pedido: caso possível, podem dizer-me se baixam com facilidade o texto via google? Obrigado.

24 Outubro 2014

Esta tarde em Luanda

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Quintas eleições gerais de Moçambique (15)

Décimo quinto número da série. O renascimento político e eleitoral da Renamo vai, certamente, ser objecto de muita análise. Há, desde já, um trabalho de Simon Allison sobre o tema e que coloca a guerra civil desse partido como estratégia eleitoral - confira aqui.
Adenda às 05:06: confira as declarações de observação (observer statementsaqui.
Adenda 2 às 11:56: "Os vários casos de taxas de participação muito elevadas dão indicações de enchimento de urnas. Participação acima de 80% dos eleitores recenseados é improvável em Moçambique, especialmente nas áreas rurais, onde as pessoas têm de caminhar longas distâncias. É muito mais provável que as urnas tenham sido enchidas – colocando os boletins não utilizados nas urnas, ou simplesmente alterando o edital, após o término da contagem. Isso acontece facilmente nas áreas onde os partidos da oposição não conseguiram colocar delegados ou membros de mesas para fiscalizar o processo. As taxas mais elevadas são registadas em Gaza, onde cinco distritos apresentam taxas muito elevadas de participação: Chicualacuala 89%, Chigubo 82%, Mabalane 80%, Massangena 96% e Massingir 92%. Estes resultados tornam-se mais suspeitos se comparados aos dados outros distritos de Gaza, igualmente leais a Frelimo, como é o caso de Mandlakazi onde a afluência às urnas foi de 56%." - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (72), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon.
Adenda 3 às 11:58: "Longe de ser uma sentença de morte da Renamo, o reinício das hostilidades foi um golpe de mestria política. O que permite descrever a Renamo como um partido que foi capaz de tomar medidas reais para defender seus princípios, que considerou serem para o bem de Moçambique como um todo. A retórica de Dhlakama na campanha eleitoral ganhou repercussão, e enfatizou valores como a tolerância e a unidade, que contrastam fortemente com a Frelimo e sua abordagem conosco-ou-contra-nós." - no boletim citado na adenda anterior.
Adenda 4 às 15:50: "A abstenção continua a ser um forte adversário das eleições moçambicanas. A CNE ainda não divulgou dados conclusivos sobre a matéria na votação de 15 de Outubro, mas os números até aqui disponíveis são reveladores da fraca participação política no país. " Aqui.

O que é filosofia africana?

Em epígrafe o título do 11.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", a entrar na Escolar Editora no dia 7 de Novembro. Os autores são o sociólogo angolano Víctor Kajibanga, o filósofo brasileiro Euclides Mance e o activista social e pastoral brasileiro Reinaldo de Oliveira, pela sequência das fotos abaixo:
No prelo há dois números, a saber: "Estão as línguas nacionais em perigo?" - autoria dos linguistas Cristine Severo do Brasil,  Bento Sitoe de Moçambique e José Pedro de Angola, pela sequência das fotos abaixo:
E "O que é violência social?" - autoria: médico e psiquiatra brasileiro Jorge Márcio de Andrade, médico legista moçambicano Eugénio Zacarias, sociólogo brasileiro Ricardo Arruda e sociólogo angolano-luso-canadiano Daniel dos Santos, pela sequência das fotos abaixo:
Entretanto, é hoje lançado em Luanda o número "O que é racismo?", conforme convite abaixo:
Outros números estão em preparação. Recorde a coleção aqui.
A coleção "Cadernos de Ciências Sociais", editada pela Escolar Editora, pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português. Nela apresento alguns dos grandes cientistas e intelectuais de ramos diversos que escrevem nessa língua no planeta, inscritos num fórum da coleção que cresce dia após dia.

Sobre o mexeriquismo político (1)

São muitas as formas e os canais do mexeriquismo político, cheio de malquerenças pessoais, de intrigas sem fim, de raivosas emoções sem perímetro. O objectivo desta curta série é modesto: lançar o tema e fornecer alguns exemplos.

23 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (14)

Décimo quarto número da série. No Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (71), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon: "As tabelas apresentam resultados não oficiais do nível provincial, com o apuramento concluído em as 11 províncias. Estes resultados não incluem os boletins de voto em branco ou inválidos (nulos), nem os votos nulos aceitos como válidos pela Comissão Nacional de Eleições. Percentagens para a Assembleia da República são apenas para os três principais partidos, e não tomam em conta os outros 27 que não obtiveram lugares. Também foi feito o cálculo da provável distribuição de assentos na Assembleia da República, mas oarequalificação dos nulos poderá fazer pequenas mudanças na distribuição de lugares no Parlamento."
Adenda 2 às 16:47: "Não queremos que nada fique pouco claro. Não queremos que fiquem quaisquer dúvidas", disse o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM). Cuinica adiantou que a CNE ainda não recebeu qualquer notificação judicial sobre queixas que tenham sido apresentadas pelos partidos em relação a alegados casos de fraude ou discrepâncias nos números relativos à contagem das eleições gerais de dia 15." Aqui.
Adenda 3 às 17:05: para começarmos a estabelecer uma relação entre votos e recenseados e, por essa via, termos uma primeira impressão da real popularidade de partidos e candidatos presidenciais, eis um extracto do Boletim sobre O Processo Político em Moçambique (26) de 17 de Maio deste ano, editado por Joseph Hanlon:

Sobre o mexeriquismo político

Quintas eleições gerais de Moçambique (13)

Décimo terceiro número da série. Recordando as eleições gerais de 2004: "Severas críticas provocam debate sobre reforma eleitoral/As falhas de uma pesada máquina eleitoral em Dezembro último e duras críticas dos observadores nacionais e internacionais, tornaram mais urgente a revisão da lei eleitoral e fizeram surgir um debate mais aberto do que no passado." Aqui.
Adenda: sobre o sistema eleitoral moçambique, um texto de 2010, aqui.
Adenda 2: eleições de 1999, aqui.
Adenda 3: é notável o esforço sistemático que certos órgãos de informação fazem para mostrar que as eleições foram ordeiras, deixando na penumbra problemas complexos e delicados.
Adenda 4 às 05:05: no Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (70), às 22 horas de ontem (amplie as imagens clicando sobre elas com o lado esquerdo do rato):
Adenda 5 às 08:48: "O elevado número de abstenções no escrutínio do passado 15 de Outubro é preocupante, na cidade nortenha de Nampula. Mais de sessenta por cento de eleitores inscritos não foram votar e dos que se dirigiram às urnas, cerca de sessenta mil depositaram votos em branco." Aqui

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (7)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Sétimo número da série. Passo ao quinto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 5. Fraude e julgamento retrospectivo. O julgamento retrospectivo é uma das características mais notáveis da forma como diariamente enfrentamos a vida e fazemos do passado a pedra angular das nossas representações sociais. Assim, se no passado aconteceu o fenómeno A, é lógico e natural - assim se pensa - que ele volte a acontecer. Os partidos políticos e seus intelectuais são, regral geral, grandes produtores desse tipo de julgamento. No caso das eleições, o julgamento retrospectivo funciona assim: se no passado houve fraude, ela voltará a ocorrer. Este tipo de julgamento tem lugar em múltiplas situações. Por exemplo, hoje ainda, de forma tenaz, a Renamo é para a Frelimo um prolongamento dos "bandidos armados" e a Frelimo é para a Renamo um prolongamento do comunismo.

22 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (12)

Décimo segundo número da série. De acordo com o matutino "Notícias", Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, afirmou ser altura de acabar com a cultura de que “as irregularidades ocorridas não afectam os resultados”. Aqui. Por sua vez e ainda segundo o mesmo jornal, o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional, Fernando Faustino, afirmou o seguinte: "Aceitamos que houve irregularidades. Mas essas irregularidades não afectaram somente a Renamo. Afectaram também a Frelimo e aos demais partidos concorrentes." Aqui.
Adenda: o tema das irregularidades já tem um passado notável no nosso país. Por exemplo, leia o "NoTMoC: Notícias de Moçambique" (infelizmente deixou de se publicar) de 27 de Outubro de 1994, aqui.
Adenda 2: em jornais, no bula-bula informal e mediante certos auto-analistas, abundam teses do género "Frelimo e Renamo uniram-se para impedir o avanço do MDM" ou "Frelimo organizou-se para evitar uma vitória muito grande e dessa maneira decepcionar os investidores". É um diz-que-diz que fascina os crédulos e evitar a pesquisa séria de terreno.
Adenda 3 às 05:07: "A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia "manifesta a sua preocupação com os atrasos do apuramento dos resultados a nível distrital e provincial em algumas províncias, e considera que estes incidentes durante o processo de apuramento, aliados à ausência de uma explicação oficial pública sobre estas dificuldades, deteriora o que tinha sido um início ordeiro da jornada eleitoral", através de um comunicado de imprensa divulgado esta noite (terça-feira)." Aqui.
Adenda 4 às 15:52: com o título "Alegações de fraude mancham a vitória da Frelimo", um trabalho aqui.
Adenda 5 às 17:15: siga o "CIP/Eleições" no Facebook, aqui.
Adenda 6 às 17:21: "Uma curiosidade sobre o voto em Niassa é que 18.932 eleitores (6,55% do total) votaram para as presidenciais, mas não o fizeram para a Assembleia da República. Esta é uma percentagem invulgarmente alta, e pode ser uma indicação de enchimento de urnas, ou de adição de votos para as presidenciais e não para a Assembleia da República. É uma diferença muito grande, e se todos estes votos foram para Nyusi, foram determinantes para que o candidato da Frelimo, conseguisse a maioria na província de Niassa." Aqui.
Adenda 7 às 17:30: um trabalho de análise às eleições de Jason Sumich, aqui.
Adenda 8 às 20:04: segundo o jornalista António Zefanias, sedeado em Quelimane, eis os resultados provisórios da contagem de votos para as presidenciais na província da Zambézia: Afonso Dhlakama da Renamo com 357.300 votos, Filipe Nyusi da Frelimo com 268.865 e Daviz Simango do MDM com 56.983. Para a Assembleia da República: Renamo com 283.363 votos, Frelimo com 243.946 e MDM cpm 65.033.
Adenda 9 às 20:23: segundo o "Wamphula Fax" digital editado em Nampula, com data de amanhã, o apuramento intermédio dá vantagem a Afonso Dhlakama da Renamo para as presidenciais e à Frelimo para as legislativas. A abstenção parece ser muito grande, pois dos 2077.360 eleitores inscritos, apenas votaram 816.327, tendo a Comissão Provincial Eleitoral validado 756,937 votos (64.327 foram votos em branco e 32.388, nulos).
Adenda 10 às 20:46: atenção, todos os números que surjam são rigorosamente provisórios e muita coisa poderá ser alterada no futuro.

Indução no pensamento da fraude eleitoral

Irregularidades
1. Até aqui encontrámos irregularidades em 100 mesas de voto
2.[É natural que todos as mesas de voto tenham irregularidades]
3.Tem havido muitas irregularidades nas eleições em Moçambique
4.Todos as mesas de voto têm irregularidades

Fraude
1. Até aqui encontrámos 100 editais fraudulentos
2.[É natural que todos os editais sejam fraudulentos]
3.Tem havido fraude nas eleições em Moçambique
4.Todos os editais eleitorais são fraudulentos

Neste tipo de indução, comum em muitas análises e generalizações, estamos perante um pensamento que, filiando a "prova" na confiança acordada à premissa hipotética, a priori, 2, estabelece, com pretensão apodítica, a conclusão 4.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (6)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Sexto número da série. Passo ao quarto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 4. Estrutura do pensamento circular. Como já escrevi, os três candidatos presidenciais deste ano (Filipe Nyusi da Frelimo, Afonso Dhlakama da Renamo e Daviz Simango do MDM) foram seduzidos pelas multidões, ficaram fascinados com elas. Mas Dhlakama foi aquele que, publicamente, melhor expressou a sedução (multidões=votos assegurados), aquele que, melhor do que ninguém, em seu populismo, exemplificou o pensamento circular deste género:
1. As pessoas vão aos meus comícios
2. Por que razão vão aos seus comícios?
3. Porque gostam de mim e vão votar em mim
4. Que provas tem disso?
5. Não vê que vão aos meus comícios?

21 Outubro 2014

Desarmamento da Renamo

Segundo a "Folha de Maputo que cita a "Lusa" e o ministro José Pacheco, inicia-se no dia 29 a fiscalização do desarmamento da Renamo, seguindo-se a integração na política e nas forças armadas e a reinserção económica e social. Aqui.
Adenda às 15:47: este é mais um grande desafio na história política do país, quando os resultados provisórios e oficiais dão a Renamo por derrotada nas eleições do dia 15 de Outubro.

Indução no pensamento da fraude eleitoral

Quintas eleições gerais de Moçambique (11)

Décimo primeiro número da série. Num trabalho divulgado no jornal português "Expresso" de 18 do corrente mês (1.º caderno, p. 36), com o título "Frelimo vence contestada e MDM afirma-se na oposição", o jornalista moçambicano Lázaro Mabunda escreveu o seguinte, contra a corrente do que se escreve e se diz dentro e fora do país: "Os prognósticos indicam que o MDM poderá triplicar o número de deputados na Assembleia da República, alcançando perto de 30 lugares contra os atuais oito. A confirmarem-se as previsões, o MDM será, nesse sentido, um vencedor destas eleições. Em cinco anos de existência, esta força política, além de estar a cimentar a sua posição no parlamento, já governa em quatro municípios, nomeadamente Beira, Quelimane, Gúruè e Nampula."
Adenda: o mais importante em pesquisa consiste em colocar questões decisivas que a orientem. O jornalista Mabunda colocou uma de forma assertiva. Talvez se possa colocar estoutra, de forma interrogativa: como se explica o recrescimento de Dhlakama e da Renamo?
Adenda 2: tal como sucedeu na cidade de Quelimane, Afonso Dhlakama e a Renamo ganharam as eleições na cidade de Nampula. Confira aqui.
Adenda 3 às 14:55: No Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (67), com data de hoje e editado por Joseph Hanlon :"A saúde e a assiduidade do povo de Massangena, Gaza, é notável. 97% dos eleitores registados foram às urnas na quarta-feira, e desses 98% votaram a favor do candidato da Frelimo, Filipe Nyusi. Sugerimos que isto tem menos a ver com lealdade, e mais com enchimento de urnas. [Distrito de Chicualacuala, em Gaza, revelou uma boa saúde similar, com uma participação de 89%. Mas as [pessoas] foram menos fiéis; apenas 96% votaram em Nyusi." [tradução minha da versão em inglês do boletim, CS)
Adenda 4 às 15:38: "Violações aos direitos dos jornalistas mancharam, em parte, a cobertura jornalística das eleições presidenciais cuja campanha eleitoral decorreu de 31 de Agosto a 12 de Outubro. À Comissão de Resposta Rápida (CRR) chegaram diversos casos sobre ameaças, agressões e confiscação de material de trabalho de jornalistas durante eleições presidenciais, cuja natureza consubstancia um atentado à liberdade de imprensa e consolidação do estado democrático em Moçambique. As situações mais relevantes relacionam-se à ameaças e agressão a um jornalista do @verdade em Nampula, Leonardo Gasolina, no primeiro dia da campanha, a John Chekwa, da Rádio Comunitária de Catandica, em Manica, e confiscação de material de trabalho de Jordane Nhane, correspondente do Magazine Independente em Sofala, no dia da votação (15 de Novembro). A CRR condena estes actos e apela às autoridades para aplicação da Lei de Imprensa." Aqui.
Adenda 5 às 16:02: segundo o jornalista António Zefanias do "Diário da Zambézia", a Renamo remeteu uma queixa ao Tribunal da Cidade de Quelimane reportando a falta de 35 editais.
Adenda 6 às 18:51: ainda não saíram os resultados oficiais, mas a Renamo já festejou em Gondola e quis fazer o mesmo em Chimoio, na província de Manica, onde Dhlakama terá ganho nas presidenciais. Aqui.
Adenda 7 às 20:34: "A  Missão de Observação Eleitoral da União Europeia "manifesta a sua preocupação com os atrasos na apresentação dos resultados aos níveis distrital e provincial em algumas províncias, e considera que esses percalços no processo de tabulação, somados à ausência de explicações públicas oficiais sobre essas dificuldades, mancham o que aquele que foi um começo ordenado no dia da eleição", disse a missão em comunicado divulgado esta noite (terça-feira)" - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (68), com data de hoje e editado por Joseph Hanlom (tradução minha da versão inglesa do boletim, CS).

20 Outubro 2014

Dhlakama e Renamo também venceram na cidade de Nampula

Tal como sucedeu na cidade de Quelimane (recorde adenda aqui), Afonso Dhlakama e a Renamo venceram na cidade de Nampula. Leia amanhã neste diário a série Quintas eleições gerais em Moçambique (11).

Próximo mês

Durante séculos, a África foi falaciosamente vista como um continente sem história e criatividade. "Ibi sunt leones": aí existem leões! Assim se representava o continente em mapas e portulanos.
Com as independências nacionais, o novo quadro epistemológico alterou a anterior visão: a África tem história e criatividade.
Por outras palavras, ao sinal negativo externo foi oposto o sinal positivo local, lá onde se defendia o afropessimismo opôs-se o afro-optimismo, numa polarização na qual a pesquisa dialéctica e os juízos de facto foram e são, frequentemente, substituídos pela pesquisa politicamente conveniente e pelos juízos de valor. Esta pesquisa politicamente conveniente integra, hoje, o discurso, também conveniente, da riqueza africana em recursos naturais, especialmente minerais e energéticos, que aparecem como substitutos dos “leões” de outrora.
É imperioso romper com essa dicotomia normativa e olhar para o continente africano numa perspectiva adaptada à “lei de Heráclito”: a única coisa que não muda em África é a mudança. Ou seja, torna-se necessário produzir um entendimento científico sobre o continente africano a partir da complexidade das suas dinâmicas sociais.
O desafio dos cientistas consiste em estudar as dinâmicas africanas expondo as especificidades que as distinguem das dinâmicas universais e focando as rupturas e continuidades, os avanços e recuos, e as tradições que se reinventam e se transformam com a interculturalidade característica da globalização.
Na verdade, África sofreu e sofre influências e pressões, determinantes no passado e no presente, sobre que rumos seguir e escolhas fazer, num clima de permanente tensão não tanto entre o novo e o velho quanto entre o local e o global.
Que dinâmicas estão em curso? Que riscos sociais e ambientais prever? Que desafios ter em conta? Que políticas e estratégias adoptar?
Daí o tema desta III Conferência Internacional, organizada pelo Centro de Estudos Africanos na cidade de Maputo, que se desdobra em 15 subtemas, visando construir um mosaico de vida interligada sobre o continente africano.

Quintas eleições gerais de Moçambique (10)

Décimo número da série. De acordo com o Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (66), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon, "Os candidatos presidenciais dos dois principais partidos tiveram melhores resultados do que os seus partidos nas legislativas, por seu turno, Daviz Simango teve menos votos do que o MDM. Os  votos na Renamo registam uma queda de 3% e na Frelimo uma queda em 1%, e esses votos  foram divididos entre o MDM e os pequenos partidos." Por outro lado, ainda segundo o boletim, "A versão mais recente da contagem paralela (PVT, parallel vote tabulation em Inglês) do Observatório Eleitoral, prevê os seguintes resultados:
Presidente
Nyusi 58%
Dhlakama 35%
Simango 8%
Assembleia da República
Frelimo 57%
Renamo 32%
MDM 10%
Outros 2%
Assentos na Assembleia da República
Tomando em consideração que nenhum dos pequenos partidos vai ganhar assentos e que é provável que a Frelimo ganhe os dois assentos no exterior, temos a seguinte estimativa na distribuição dos assentos:
Frelimo 143
Renamo 82
MDM 25
Essas projeções são baseadas em 84% das assembleias de voto que constam da amostra do PVT, o suficiente para dar uma projeção relativamente precisa. A margem de erro é de 2%." Confira essas e outras notícias (por exemplo sobre problemas com a afixação dos editais e sobre resultados distritais, aqui.
Adenda às 16:49: Informação acabada de receber do jornalista António Zefanias sedeado em Quelimane: segundo dados provisórios da Comissão Distrital de Eleições de Quelimane, Afonso Dhlakama e a Renamo ganharam as eleições na cidade de Quelimane:
Presidenciais: Afonso Dhlakama da Renamo: 31.346/Filipe Nyusi da Frelimo: 24.132/Daviz Simango do MDM: 8.665
Legislativas: Renamo: 22674, Frelimo: 20.862/MDM 14.390
Total de inscritos:136.953

Sexta-feira em Luanda

O livro (sinopse aqui) está à venda em Maputo nas livrarias da Escolar Editora. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Quintas eleições gerais de Moçambique (9)

Nono número da série. A propósito do Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (64), ontem aqui apresentado, recordo o diário de campo (133) deste diário, de 18/12/2009"Com o título "Manifestação manifestamente improvável", o jornalista Salomão Moyana defende no editorial do “Magazine Independente” desta semana que é improvável que a Renamo faça uma manifestação de protesto contra os resultados eleitorais. Leia aqui./Adenda às 16:32: enquanto isso, no "Wamphula Fax" de hoje o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, surge afirmando que a manifestação só será anulada "se Guebuza aceitar negociar connosco para conseguirmos uma solução viável para o bem do povo moçambicano". A conferir na íntegra aqui./Adenda 2 às 17:13: o "O País" online de hoje exibe um trabalho com o título "Partidos juntam-se à Renamo e exigem GUN", aqui."
Adenda: segundo o "Diário de Zambézia" de hoje, a Comissão Provincial de Eleições da província da Zambézia continua sem divulgar os resultados provisórios das eleições de 15 de Outubro. O jornal acha estranho que a Televisão de Moçambique esteja a divulgar resultados - citando como fonte o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral -, quando localmente nenhum resultado surgiu ainda publica e oficialmente.
Adenda 2 às 04:22: "Contrariamente ao previsto nas leis eleitorais, algumas comissões distritais de eleições (CDEs) para além de não estarem a cumprir com o prazo estabelecido de 3 dias para o apuramento a este nível, os respectivos presidentes, não estão a disponibilizar os editais de apuramento distrital e muito menos mandar afixa-los, conforme relatam os nossos correspondentes. [De acordo com artigo 106, da Lei 12/2014 de 23 de Abril,“ os mandatários de candidatura, observadores e jornalistas são entregues pela comissão distrital ou de cidade cópias dos editais originais de apuramento distrital ou de cidade devidamente assinadas e carimbadas”. [O artigo 107, da mesma Lei, “refere que os resultados do apuramento distrital ou de cidade são anunciados, em acto solene e publico, pelo respectivo presidente da comissão de eleições distrital ou de cidade respectiva, no prazo máximo de três dias, contados a partir do dia do enceramento da votação, mediante divulgação pelos órgãos de comunicação social, e são afixados em cópias do edital original à porta do edifício onde funciona a comissão de eleições distrital ou de cidade, do edifício do governo do distrito e do município”. - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (65), com data de ontem e ediatdo por Joseph Hanlon.
Adenda 3 às 04:29: uma posição de Afonso Dhlakama segundo o "Notícias" digital de hoje, aqui.
Adenda 4 às 04:34: "Afonso Dhlakama, assegurou a um conjunto de diplomatas acreditados em Maputo que não recorrerá à violência e tenciona permanecer na capital para dialogar com o Governo cenários pós-eleitorais, admitindo um executivo de unidade nacional." Aqui.
Adenda 5 às 15:07: "No último sábado, Afonso Dhlakama chamou a imprensa para reforçar as palavras do seu porta-voz, cumprindo, por assim dizer, uma tradição que remonta desde as primeiras eleições de 1994. As causas são as mesmas: irregularidades que comprometem a credibilidade de todo o processo." Aqui.

No "Savana" 1084 de 17/10/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (5)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Quinto número da série. Passo ao terceiro ponto do sumário proposto aqui, a saber: 3. A sedução das multidões e a crença absoluta na vitória. Os três candidatos presidenciais deste ano foram seduzidos pelas multidões. Mas Dhlakama foi aquele que, publicamente, melhor expressou a sedução. Falta fazer um estudo sobre a composição social das multidões. Por agora e como hipótese, sugiro quatro tipos de pessoas, genericamente consideradas (sem referência ao estatuto social) que frequentaram os comícios e os desfiles de carro de Dhlakama: 1. Os militantes e os simpatizantes da Renamo; 2. Os curiosos de ver aquele que andou no mato desafiando o poder central, aquele que, nas percepções populares, não teve medo; 3. Os meros amantes de espectáculos sinestésicos que, em sua transversalidade, não perdem qualquer comício, seja de quem for. 4. Finalmente, os ansiosos por prendas de campanha (capulanas, camisetes com a efície do candidato, porta-chaves, sacos plásticos, etc.), no que (parece) a campanha de Dhlakama não foi pródiga. Seduzido pelas multidões, Dhlakama prometeu mudar a vida e reescrever o futuro e a esperança. Diante de tanto aplauso, de tanta voz excitada, de tanto entusiasmo, chegou, célere, a uma conclusão: as multidões estavam ali porque o admiravam, porque o desejavam, porque o haviam já por vencedor, porque tinham chegado à conclusão de que apenas com ele o país ficará melhor, mais seguro, mais solidário, mais rico, mais redistribuidor. O candidato convenceu-se definitivamente de que as multidões iriam votar em massa nele e no seu partido. Votaram, sim, mas não em massa. A profecia não se realizou a contento. E tal como nas eleições anteriores, Dhlakama afirmou e afirma que apenas a  fraude da Frelimo impediu que ganhasse. Ontem como hoje, deixou a mensagem implícita de que em Moçambique apenas ele está apto a ganhar eleições presidenciais.

19 Outubro 2014

Espantosa

É espantosa a capacidade que os humanos têm de infligir dor múltipla a outrem em seus castigos, é espantosa a capacidade ilimitada de desumanização dos humanos.

Quintas eleições gerais de Moçambique (8)

Oitavo número da série. No Boletim  sobre o Processo Político em Moçambique (64), com data de hoje e editado por Joseph Hanlon: "Afonso Dhlakama acredita que ganhou a eleição na passada quarta-feira e está a dizer a diplomatas que quer um governo de unidade nacional. Apela para negociações conducentes a um governo de unidade que restruturaria totalmente os aparelhos e as forças de segurança do Estado para remover a influência da Frelimo. Haveria, então, novas eleições em dois anos. [Enfatiza que não se trata de ganhar ou de perder eleições. Afirma que não houve realmente uma eleição e que os diplomatas não devem aceitar em África uma eleição que não seria aceitável na Europa. Assim, quer apoio para um governo de unidade que finalmente traga a democracia a Moçambique.[Em particular, mantém a ameaça implícita de violência. Jovens apoiantes da Renamo atacaram postos de votação em Tete e Ilha de Moçambique na quarta-feira, e a Renamo não desmobilizou ou desarmou os homens que atacaram a estrada N1, em Sofala. Ele diz aos diplomatas que não quer violência, mas os seus apoiantes estão com raiva e ele não tem certeza de que pode controlá-los." (tradução minha do inglês, CS).
Adenda às 15:08: de um comentário no mesmo boletim de Joseph Hanlon: "Desde 1994 que Dhlakama acredita ter ganho as eleições e faz exigências semelhantes após cada eleição. Em 2009, prometeu manifestações e por quatro anos continuou a dizer que haveria manifestações em breve. Finalmente houve ataques na estrada N1 em Sofala em 2013. Claramente a Frelimo não vai aceitar um governo de unidade. A sua linha de fundo nas negociações de paz de Roma em 1990-1992 foi que a Renamo tinha de aceitar a legitimidade do governo e da constituição, no que Dhlakama finalmente concordou. Mas a importância do exemplo do Quénia é que houve um alto nível de mediação internacional, a Odinga foi finalmente dado um alto cargo e o governo foi extremamente expandido para criar postos ministeriais e viceministeriais sem importância para o partido de Odinga. Dhlakama espera que diplomatas pressionem a Frelimo e o governo a fazer grandes concessões, mesmo que não concedendo um governo de unidade." (tradução minha, CS)
Adenda 2 às 15:46: a história parece repetir-se. Eis um extracto do NotMoc Notícias de Moçambique de Outubro de 1994: "Dhlakama vê fraude por todos os lados/Afonso Dhlakama já disse várias vezes que a Frelimo já está a preparar a fraude eleitoral. Também já avisou que não lhe interessa o juízo dos observadores internacionais. "A minha decisão não é influenciada pela comunidade internacional nem por qualquer estrangeiro que esteja no meu país. Como nacionalista desde que eu possa provar que há fraudes, não aceito o resultado. Não aceito. Pronto. Acabou."  Aqui.
Adenda 3 às 19:48: Afonso Dhlakama e a Renamo estão claramente à frente na contagem provisória dos votos na cidade de Nampula para as presidenciais, legislativas e assembleias provinciais. Nas presidenciais, por exemplo, Dhlakama reúne cerca de 69 mil votos e Nyusi da Frelimo cerca de 53 mil - registo do noticiário das 19:30 da "Rádio Moçambique".
Adenda 4 às 20:02: prevê-se que às 21 horas comecem a ser divulgados os resultados preliminares de Quelimane.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (4)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Quarto número da série. Passo ao segundo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 2. Dhlakama e a profecia autorealizável. Um prognóstico, uma convicção, uma esperança pode tornar-se real, pode acontecer. Uma previsão pode gerar determinados comportamentos. Regressado das montanhas guerrilheiras, forte da sua oposição armada ao governo central, capaz de pôr em cheque a vida e o futuro do país, político hábil à testa de uma equipa negocial vitoriosa, protegido por uma guarda pretoriana e chancelado por diplomatas estrangeiros, o presidente da Renamo reentrou na vida civil como herói. Aqui e acolá, surgiram epítetos como "messias", "herói", "pai" e "salvador". Em campanha eleitoral, ainda que tardiamente, viu-se rodeado de multidões, em comícios e estradas. Perante tanta gente, tanto aceno, tanto braço levantado, tanto sorriso, o presidente da Renamo surpreendeu-se e extasiou-se. Convenceu-se de que, desta vez, à quinta tentativa eleitoral, absolutamente venceria, sem dúvida de que toda aquela gente, comício após comício, estrada após estrada, era disso, por antecipação, a prova insofismável. A profecia autorealizar-se-ia, tomaria corpo - decidiu. Falando dele na terceira pessoa, como também era hábito de César, disse: "Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha." E assim acreditaram e decidiram os seus admiradores, os membros do seu partido, as suas bases sociais.

"Cadernos de Cências Sociais": 2 livros lançados ontem no Brasil

Ontem, às 18 horas, no saguão térreo da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, no Brasil, durante o VIII Simpósio Brasileiro de Psicologia Política, a psicóloga brasileira Jaqueline de Jesus, lançou, com sucesso, dois livros da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", nos quais é co-autora. Assim, pouco a pouco, lançamento a lançamento, se mundializa, se conhece e se populariza a coleção "Cadernos de Ciências Sociais", da Escolar Editora.
No dia 24, em Luanda:
Recorde a coleção aqui. Para lançamentos anteriores, recorde aqui, aqui e aqui. Se quiser ampliar as imagens, clique sobre elas com o lado esquerdo do rato.