O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Olá para todas e todos vós, obrigado por visitarem este diário, criado a 18 de Abril de 2006. Aqui encontrareis, diariamente, um pouco de tudo, do que gostais e do que não gostais. Sintam-se bem e regressem sempre. Índico abraço.
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02 setembro 2015

Cadernos de Ciências Sociais

1. Permitam-me o prazer de vos dar a conhecer três novos Colegas da colecção "Cadernos de Ciências Sociais" da "Escolar Editora", que terão a seu cargo responder à pergunta-tema "O que é colonialismo?". Eis os seus nomes: Rosa Perez e Pedro Manuel Pombo de Portugal (Pedro está neste momento na Índia) e Heloisa Toller Gomes do Brasil [primeira foto]. Brevemente terão a companhia, na equipa, de uma nova ou de um novo Colega, cujo nome será anunciado oportunamente.
2. Entreguei ontem à editora a correção das segundas provas do número 14.º intitulado "Qual o papel da imagem na História?" [autoria: João Spacca do Brasil, Rui Assubuji de Moçambique, Osvaldo Macedo de Sousa de Portugal e Laison de Holanda Cavalcanti, segunda foto] e 15.º intitulado "O que são pobreza e pobres?" [autoria: Kajsa Johansson da Suécia, Narciso Mahumana de Moçambique e Marcelo Medeiros do Brasil, terceira foto].

Assassinatos sem rosto

Secretário-geral do Sindicato Nacional dos Jornalistas de Moçambique, Eduardo Constantino, a propósito do assassinato do jornalista Paulo Machava: "Não podemos continuar nesta senda de assassinatos sem rosto neste país que se pretende que seja democrático". Aqui.

As guerras da água em África

Com o título em epígrafe, um  texto de Pablo Arconata, neste portal aqui.

01 setembro 2015

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [4]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Quarto número da série. Em termos políticos, o poder de A sobre B é a capacidade revelada por A para obter, na relação com B, que os termos de troca lhe sejam favoráveis. Lá onde a relação política está saturada de força e de violência (do género "a bolsa ou a vida") e onde, portanto, as alternativas à acção social são escassas ou inexistem, não há uma relação de poder, mas uma relação de violência ou de força. Como escreveu Foucault, uma relação de violência age sobre corpos e coisas: ela força, dobra, quebra, destrói, aspira à passividade do Outro e, confrontada com a resistência, destrói. Pelo contrário, uma relação de poder articula-se sobre dois eixos fundamentais: por um lado, o Outro é sempre reconhecido como sujeito da acção e, por outro, está sempre em aberto todo um campo mútuo de respostas, de reacções, de efeitos e de invenções possíveis sem que isso signifique o eclipse do social em geral e da relação política em particular.

Poder político e exclusividade

Quem detém o poder político tudo fará para travar o acesso dos adversários, não importa por que meio, a que nível e onde, tudo fará para convencer sobre a naturalidade do usufruto desse poder, para tornar universais os interesses particulares, evacuando a história da história, procurando anestesiar as mentes, protegendo duramente o seu território de recursos de poder.

31 agosto 2015

Cobertura de um julgamento

O "Canal de Moçambique" está a fazer a cobertura do julgamento de Carlos Nuno Castel-Branco, Fernando Mbanze e Fernando Veloso (este último ausente por motivos de doença), aqui.
Adenda às 06:48 de 01/09/2015: confira a descrição feita pelo "Notícias" digital de hoje, aqui.

Quádruplo lançamento em Maputo a 01 de Outubro

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A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [3]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Terceiro número da série. No número anterior deixei as seguintes perguntas: é o poder uma coisa, algo tangível, é o poder uma substância material que certos seres humanos excepcionais possuem em si ou dentro de si? O poder é individual, é pertença de um indivíduo?
Na verdade, o poder é uma palavrinha mágica que, no seu sentido mais imediato, digamos sinestésico, põe-nos logo a alma em sentido ou ajoelhada em santa reverência. Creio que todos nós temos do poder a imagem de algo tangível, mensurável, pegável. Por isso é corrente dizermos e escrevermos, por exemplo, coisas como "ele tem poder" ou "chegou ao poder" ou "o seu poder é visível".
É bem mais difícil conceber o poder não como uma coisa à mão de semear mas como uma relação ou, melhor, como produto de uma relação, de uma relação onde estão em jogo mútiplas coisas ao mesmo tempo.
Na verdade, o poder é produto de uma relação complexa, física e psíquica. Não é uma substância fisicamente tangível e não é pertença individual. O poder é, intrinsecamente, produto de um grupo.
Como um dia afirmou Hannah Arendt, o poder é sempre pertença de um grupo, apenas existindo enquanto o grupo estiver unido. Eis a sua posição no livro "Da violência": "Quando dizemos que alguém está “no poder” estamos na realidade nos referindo ao fato de encontrar-se esta pessoa investida de poder, por um certo número de pessoas, para atuar em seu nome. No momento em que o grupo, de onde se originara o poder (potestas in populo, sem um povo ou um grupo não há poder), desaparece, “o seu poder” também desaparece."

Partidos políticos e distribuição de cargos

De Max Weber em texto publicado em 1919: "O que os chefes de partido dão hoje como pagamento de serviços leais são cargos de todo o tipo em partidos, jornais, confrarias, Caixas de Segurança Social e organismos municipais ou estatais. Toda e qualquer luta entre partidos visa não só um fim objectivo, mas ainda e acima de tudo o controlo sobre a distribuição de cargos." [O político e o cientista. Lisboa: Editorial Presença, s/d, p. 64]

No "Savana" 1129 de 28/08/2015, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

30 agosto 2015

Um olhar de criança

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [2]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Segundo número da série. Para arrumar melhor as ideias, importa salientar que é necessário mostrar o que entendo por poder, poder político, gestão política, dominação política, direção política e legitimidade. Começo pelo poder através de perguntas. É o poder uma coisa, algo tangível, é o poder uma substância material que certos seres humanos excepcionais possuem em si ou dentro de si? O poder é individual, é pertença de um indivíduo?

Curto-circuito da razão na Escola Secundária de Nampula [10]

Décimo número da série. Permitam-me retomar a hipótese dos três momentos interactivos sugeridos no terceiro número desta série - todos já abordados -, a saber:
1. Tensão motivada pelas provas
2. Sobreestimação colectivizada de um problema aparentemente eléctrico
3. Pânico acentuado pela memória local e nacional de confrontos militares.
Então, o que passou não pode ser visto de forma unívoca. Não há nenhuma evidência de explosão nem de curto-circuito eléctrico suficientemente poderoso para desencadear o pânico colectivo gerado na Escola Secundária de Nampula, a maior do Norte do país. O que provavelmente se passou tem a ver com a interacção dos três fenómenos sugeridos. Interagindo, influenciando-se mutuamente nas mentes dos estudantes, sem que, no geral, estes estivessem deles conscientes, os três fenómenos geraram a sobreestimação.

29 agosto 2015

A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [1]

Quanto mais os gestores de um Estado investirem nos aparelhos repressivos e na repressão, mais alta será a composição orgânica da política e menor a taxa de lucro político, quer dizer, menor a legitimidade.
Esta é uma série na qual escreverei um pouco sobre o poder político, expressão que parece dizer tudo mas que é, afinal, complexa. Os eixos da série são o partido Frelimo e o presidente desse partido e da República, Eng.º Filipe Nyusi.

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1129, de 28/08/2015, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.

28 agosto 2015

Dois tipos de pistolagem por encomenda

A hipótese é a seguinte: existem dois grandes tipos de pistolagem por encomenda, [1] aquele no qual o objectivo é liquidar uma voz incómoda para a reprodução política de um determinado sistema económico; e [2] aquele no qual o objectivo é liquidar uma voz incómoda para a reprodução meramente económica de um determinado ramo do Capital.
Nota: a expressão pistolagem por encomenda é adaptada da obra do sociólogo brasileiro César Bandeira intitulada Cotidiano despedaçado, Cenas de uma violência difusa. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2008, pp. 91-103. Esse livro foi-me gentilmente oferecido pelo autor quando, a seu convite, estive em Fortaleza em 2009.

Coleção mundial já com 14 títulos

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A encruzilhada da Frelimo e de Nyusi: entre dominação e direcção [série]

Amanhã neste diário

Messianismo político

Quando analisamos, por exemplo, as cartas de leitores de jornais, as redes sociais digitais e os blogues, verificamos ser muito forte o desejo generalizado de um messias político, de um ser capaz de resolver os problemas sociais num ápice, com uma varinha mágica. O messianismo político é especialmente forte em meios sociais nos quais se conjugam três fenómenos: (1) grande peso das tradições e das regras costumeiras; (2) percepção da erosão dessas tradições e dessas regras; (3) níveis de pobreza multidimensional elevados.

27 agosto 2015

Apelo

Pemba, a dialéctica

No "@Verdade" digital: "Se, por um lado, despontam mansões, resorts, hotéis e condomínios de luxo, por outro, à mesma velocidade, crescem os assentamentos informais em que centenas de pessoas se debatem com a falta de saneamento básico. Eis a nova imagem da considerada terceira maior baía do mundo." Aqui.

Estereótipo

O estereótipo é a imagem distorcida de uma pessoa, de um grupo ou de um fenómeno, tão mais forte e sistemática quanto mais forte e sistemática for a interacção e, especialmente, a luta entre grupos por acesso a recursos fundamentais.

Bode expiatório

Quando confrontados com problemas graves, procuramos sempre encontrar um responsável, um bode expiatório, algo ou alguém - regra geral alguém - que de nós receba a fúria e a catarse purificadoras.