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30 Outubro 2014

Quintas eleições gerais de Moçambique (19)

Décimo nono número da série. Deverão ser hoje anunciados pela Comissão Nacional de Eleições os resultados finais das quintas eleições gerais do país (presidenciais e legislativas) e segundas para as assembleias provinciais, realizadas no dia 15 de Outubro.
Adenda às 04:34: o "Notícias" digital de hoje retoma a notícia da "Rádio Moçambique", tornada conhecida neste diário ontem (aqui), dando conta de um encontro entre o embaixador americano e os presidentes dos partidos Renamo e MDM, no qual o primeiro aconselhou os segundos a não aceitarem os resultados eleitorais e a desencadearem acções de protesto. Aqui. Tal como a "Rádio Moçambique", o "Notícias" não fez uso do contraditório e não ouviu o embaixador e os dois presidentes partidários.
Adenda 2 às 04:36: observações do Centro Carter e do EISA ao apuramento dos resultados segundo a "Lusa", aqui.
Adenda 3 às 04:38: confira o que escreveu o jornalista Paul Fauvet da "Agência de Informação de Moçambique" sobre os resultados da contagem paralela efectuada pela Renamo, aqui.
Adenda 4 às 04:40: confira um texto na "Voz da América", aqui.
Adenda 5 às 04:43: "Partidos da oposição moçambicanos desmentem informações postas a circular de que embaixador dos EUA os teria aconselhado a não reconhecer os resultados eleitorais. Embaixada norte-americana fala em "falta de seriedade"." Aqui.
Adenda 6 às 04:49: "Gambito da Renamo - forçar a questão após as eleições de 2014 em Moçambique" - título de um trabalho de Grant Masterson and Olufunto Akinduro aqui.
Adenda 7 às 04:53: um texto da "Rádio França Internacional" aqui.
Adenda 8 às 15:03: em conferência de imprensa hoje realizada, o Tribunal Supremo anunciou ter anulado os resultados de 26 mesas de voto no distrito de Tsangano, província de Tete, devido a actos de violência ali registados quando das eleições de 15 de Outubro. Segundo Pedro Nhatitima, porta-voz do Tribunal, caberá agora à Comissão Nacional de Eleições mandar repetir ou não as eleições.
Adenda 9 às 15:31: a Comissão Nacional de Eleições (CNE) procede à introdução dos resultados eleitorais.
Adenda 10 às 15:38: o porta-voz da CNE afirmou não terem sido apresentadas reclamações e contraprocessos capazes de pôr em causa os resultados eleitorais.
Adenda 11 às 15:41: o director-geral do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral procede agora à leitura dos resultados.
Adenda 12 às 15:56: não há alterações de relevo nos resultados que estão a ser apresentados, quando comparados com os resultados parciais anunciados há dias.
Adenda 13 às 16:10: terminou a leitura dos resultados, terminou a cerimónia, Filipe Nyusi e Frelimo venceram oficialmente as eleições.
 

Sobre o mexeriquismo político (6)

Sexto número da série. Escrevi anteriormente que podiam ser consideradas duas submodalidade de mexeriquismo político de contrapropaganda: a dos meios de comunicação social (com ou sem ligações com os serviços de inteligência) e a dos serviços de inteligência. Já me referi à primeira. Sobre a segunda. Esta tem múltiplas formas de acção: celulares, redes sociais digitais, blogues e jornais. O objectivo central consiste em criar um clima propício à aceitação de uma determinada ideia motriz e ao desencadeamento de uma determinada acção. Esse clima pode surgir através de muitos tipos de pessoas, de jornalistas a políticos, académicos, bloguistas (os blogues do copia/cola/mexerica jogam sempre um papel vector no empurrão), gestores de páginas nas redes sociais digitais e analistas de plantão.

29 Outubro 2014

Situações delicadas

Ontem, o porta-voz da Renamo foi citado dizendo que a ideia de um governo de unidade nacional não era da Renamo, mas do Alto Comissariado do Canadá. Aqui. Ontem, também, o embaixador português em Moçambique lamentou que uma mensagem falsa e caluniosa distribuída por sms o tenha colocado, juntamente com os seus homólogos dos Estados Unidos e Itália, como instigador da violência da Renamo contra os resultados das eleições de 15 de Outubro. Aqui.
Observação: estamos perante duas situações muito delicadas, uma via dito público mencionando o Canadá e outra via sms mencionando os embaixadores de Portugal, Estados Unidos e Itália. Entretanto, ontem ainda, alertei para o risco de proliferação de boatos na internet. Aqui. A Comissão Nacional de Eleições deverá anunciar até amanhã os resultados finais das eleições e pode acontecer que até ao anúncio - e mesmo depois - venham a surgir mais boatos, seja por sms, seja através de blogues e páginas das redes sociais digitais, intencionalmente produzidos e distribuídos.
Adenda às 18:04: pela voz do jornalista Boaventura Mandlate, a "Rádio Moçambique" reportou no seu noticiário das 18 horas, citando fontes anónimas, que o embaixador do Estados Unidos em Maputo, Douglas Griffiths, encontrou-se com os presidentes da Renamo e do MDM, respectivamente Afonso Dhlakama e Daviz Simango, a quem aconselhou a não aceitarem os resultados eleitorais a divulgar amanhã e a desencadearem acções de protesto.
Adenda 2 às 18:08: a notícia transmitida pela "Rádio Moçambique" traz para a cena política nacional um conteúdo inquietante. Para já, uma pergunta: quem são as fontes anónimas?
Adenda 3 às 18:46: falta acrescentar que os jornalistas Emílio Manhique da "Rádio Moçambique" e Gustavo Mavie da "Agência de Informação de Moçambique" afirmaram à "Rádio Moçambique" no noticiário das 18 horas que receberam ameaças de morte via sms.
Adenda 4 às 18:51: até este momento, não há alguma reacção no portal da embaixada americana em Moçambique, aqui.
Adenda 5 às 19:48: até agora, não há notícia de Griffiths, Dhlakama e Simango terem sido ouvidos pela "Rádio Moçambique". O portal da emissora é, até este momento, omisso sobre a notícia da adenda 1.

Mais um lançamento

Aqui, recorde a coleção "Cadernos de Ciências Sociais" aqui.

Sobre o mexeriquismo político (5)

Quinto número da série. Escrevi no número anterior que podiam ser consideradas duas submodalidade de mexeriquismo político de contrapropaganda: a dos meios de comunicação social (com ou sem ligações com os serviços de inteligência) e a dos serviços de inteligência. Algumas considerações sobre a primeira. Certos meios de comunicação social são férteis em trabalhos cheios de detalhes e de sensacionalismo primário, nos quais, perante adversários políticos considerados perigosos, é desenvolvida a tese de que membros (cujo "anonimato" é salvaguardado, ressalvam esses meios) do partido X, por exemplo, vieram contar que o seu líder é tirano e regionalista e que reina grande descontentamento no seio dos militantes. O recurso a detalhes, a episódios rocambolescos, a horas, a locais e a nomes fictícios parece sugerir uma ligação sombra com serviços de inteligência e, portanto, um preparo laboratorial intencionalmente estruturado. 

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (10)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Décimo número da série. Passo ao oitavo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 8. Teorias da grande conspiração e o papel da mão externa. Somos quer um país fértil na produção de teorias de conspiração, quer um país alvo dessas teorias. Internamente, a propósito dos mais variados motivos, dos protestos populares ao desporto, ao nível do Estado e das mais comezinhas direcções, é frequente atribuir à conspiração tenebrosa a razão de ser dos problemas surgidos. Nessa atribuição, o papel da mão externa, da mão internacional, joga um papel fundamental. O período eleitoral no país foi motivo para o surgimento de uma teoria conspiratória com mão externa, desta vez a nível de uma ciberautoria anónima, a saber: a Frelimo contratou uma empresa israelita especializada em software e sistemas eleitorais para organizar a fraude mediante pagamento de milhões de dólares. Essa teoria-boato (cheia de detalhes de contrapropaganda, parecendo ser um produto preparado em laboratório de serviços de inteligência) começou a ser disseminada antes das eleições e, depois, gradualmente - apoiada por páginas nas redes sociais, neste ou naquele jornal digital e por certos blogues do copia/cola/mexerica, com múltiplas variações -, entrou também, via sms, nos telemóveis nacionais. A Renamo, como desde 1994 tem feito, não perdeu a oportunidade para adoptar de imediato tão útil teoria-boato. Na verdade, mal os primeiros resultados provisórios das eleições de 15 de Outubro surgiram na imprensa, a Renamo afirmou publicamente, via porta-voz, que havia fraude. Acresce que, no sentido contrário, a Frelimo, partido gestor do Estado, também não perdeu nem perde a oportunidade, desde 1994, de defender que as eleições foram e são transparentes, sendo de somenos os problemas registados. Recorde aqui.
Adenda às 11:16: leia esta notícia aqui.
Adenda 2 às 17:22: leia também aqui.

28 Outubro 2014

Atenção aos boatos

Atenção aos boatos com autoria anónima circulando na internet.

Soft Vengeance

"Soft vengeance" (70 minutos) terá estreia nacional no decorrer da III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos (19/20 de Novembro), no Teatro Scala, cidade de Maputo. Além de Albie Sachs, poderá estar presente a realizadora americana Abby Ginzberg. Participe na conferência e verá ainda outros momentos culturais relevantes.

Sobre o mexeriquismo político (4)

Quarto número da série. A segunda modalidade de mexeriquismo político é a laboratorial de contrapropaganda, tal como propus aqui. Podem ser consideradas duas submodalidades: a dos meios de comunicação social (com ou sem ligações com os serviços de inteligência) e a dos serviços de inteligência.

Quintas eleições gerais de Moçambique (18)

Décimo oitavo número da série. Extractos: "Os resultados finais das eleições devem ser anunciados até quinta-feira. Os resultados devem ser validados pelo Conselho Constitucional, que não tem um prazo para o fazer, mas é espectável que o faça em meados de Dezembro. [...] Olhando para a requalificação de votos nulos e as análises do PVT, continuamos a pensar que existiu má conduta dos MMVs (membros das mesas de voto), através da invalidação dos votos da oposição. Foram bastante significativas, envolvendo, pelo menos, 3,55% das assembleias de voto, mas estes números são reduzidos se comparados com as eleições gerais de 2009. [...]Em 2004, havia 3,9% de votos nulos para as presidenciais antes de requalificação, e em 2009 este número aumentou para 4,5%. Para esta eleição, o PVT encontrou apenas 3,55% de votos Eleições Nacionais 2014 [...] Em 2009, o PVT identificou 6% das mesas de voto onde a taxa dos votos nulos se situou acima dos 10%, e este ano foram identificados apenas 4,5%." - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (73), 27 de Outubro, 20 horas, aqui. (foto do boletim)
Adenda às 08:44: "Cuinica afirmou que ilícitos que têm sido denunciados por observadores moçambicanos e estrangeiros, bem como pelos partidos da oposição, não terão dimensão para impedir sequer a eleição de um deputado da Assembleia da República, um membro da assembleia provincial ou o chefe de Estado." Aqui
 

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (9)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Nono número da série. Passo ao sétimo ponto do sumário proposto aqui, a saber: 7. Fraude e movimento infra-intelectual de precedência afectiva. Eis um movimento generalizado, clássico, cuja fórmula é muito simples: primeiros os nossos, depois os outros. É a lei do semáforo: o verde para os nossos e o vermelho para os outros. A partir deste movimento, a inferência é primária: a fraude só pode ser provocada pelos outros, jamais pelos nossos. E bastam alguns sintomas de fraude para a generalização ser imediatamente posta em movimento.
Adenda às 08:41: "O Governo anunciou ontem, que vai disponibilizar 300 vagas nas Forças de Defesa e Segurança (FDS) para os homens do braço armado da Renamo, ao abrigo do acordo para a cessação das hostilidades celebrado a 05 de Setembro." Aqui

27 Outubro 2014

Aproxima-se a III Conferência Internacional do Centro de Estudos Africanos

A Comissão Organizadora da III Conferência Internacional (19/20 de Novembro) do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane numa curta pausa no trabalho desta manhã. Estabelecemos parcerias com cinco hotéis de Maputo, com vista a obter preços preferenciais para os participantes estrangeiros. Confira aqui. E recorde aqui.

Sobre o mexeriquismo político (3)

Terceiro número da série. Propus no número anterior três formas de mexeriquismo político: o rotineiro de maldizer, o laboratorial de contrapropaganda e o astroturfing. O mexeriquismo político rotineiro de maldizer é como que um fenómeno natural, é como se cada sociedade fosse dicromata e tivesse necessidade de maldizer outrem para, juntamente com o bem-dizer, seguir em frente. Em particular, os partidos políticos, os seus porta-vozes, os seus intelectuais de plantão, os seus militantes, os seus simpatizantes, os seus jornais, os seus blogues e as suas páginas nas redes sociais digitais formam uma rede de castelos feudais permanentemente sem ponta levadiça, quer dizer, sem abertura para o exterior, sem contacto, sem partilha, sem permuta analítica, sem alianças. Dentro de cada castelo o mundo é encarado de forma maniqueísta, como tendo apenas dois lados: o lado dos bons no interior e o lado dos maus no exterior. Certos jornais do país são exemplares exercícios de mexeriquismo político rotineiro, nos quais o que está em causa é - apesar, aqui e acolá, de alguma pretensão científica - uma avaliação moral primária, não poucas vezes boçal. Nesses jornais o partido X é encarnação do bem e os restantes partidos são a encarnação do mal.

No "Savana" 1085 de 24/10/2014, p.19

Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do ratoNota: "Fungulamaso" (abre o olho, está atento, expressão em ShiNhúnguè por mim agrupada a partir das palavras "fungula" e "maso") é uma coluna semanal do "Savana" sempre com 148 palavras na página 19. A Cris, colega linguista, disse-me que se deve escrever Cinyungwe. Tem razão face ao consenso obtido nas consoantes do tipo "y" ou "w". Porém, o aportuguesamento pode ser obtido tal como grafei.
Adenda: também na rubrica Crónicas da minha página na "Academia.edu", aqui.

Lançamento em Lisboa dia 2 de Novembro

O que é humor gráfico? - este número, da coleção "Cadernos de Ciências Sociais" da Escolar Editora, será lançado em Lisboa no dia 2 de Novembro, às 16:30, por ocasião do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, numa iniciativa de Osvaldo de Sousa apoiada pela Escolar Editora. Recorde aqui e aqui. Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

26 Outubro 2014

Sobre o mexeriquismo político (2)

Segundo número da série. Escrevi no número inaugural que são muitas as formas e muitos os canais do mexeriquismo político. Proponho três formas de mexeriquismo político: o rotineiro de maldizer, o laboratorial de contrapropaganda e o astroturfing.

Quintas eleições gerais de Moçambique (17)

Décimo sétimo número da série. Certamente dentro de alguns dias a Renamo convocará uma conferência de imprensa para anunciar os resultados da contagem de votos que efectuou no dia 15 de Outubro e, certamente também, deverá declarar que ganhou as eleições. Depois será a vez de saber o que vai suceder. Por agora parece ser legítimo defender que os deputados do partido absolutamente não quererão perder os seus lugares na Assembleia da República. Ser deputado e beneficiar dos notáveis proventos daí decorrentes é um dos sonhos mais robustos de muita gente no país, não havendo indício de que na Renamo o bem-estar profissional abunde.
Adenda: "CNE analisa milhares de votos inválidos no fim de um apuramento marcado pela suspeição" - título de um trabalho aqui.
Adenda 2 às 05:56: um texto no BDLive sul-africano, aqui.

Ante a profecia nãorealizável da Renamo: o que vai agora suceder? (8)

-"[...] Desta vez a vitória é nossa, uma vez que as condições já estão criadas para o efeito. A vossa presença massiva (no comício) mostra claramente que Dhlakama já é inquilino da Ponta Vermelha. E isso está fazer com que alguns candidatos respirem fundo. No dia 15 vamos apenas às urnas confirmar a nossa vitória”, disse o candidato da Renamo."Aqui.
-"A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) reivindicou esta quinta-feira, dia 16 de Outubro, vitória nas eleições gerais de 15 de Outubro em Moçambique e disse que não reconhece os resultados eleitorais, anunciou o porta-voz do partido." Aqui. (recorde a adenda 12 aqui)
Oitavo número da série. Passo ao sexto ponto do sumário proposto aqui, a saber: 6. Fraude e indução simplificadora. A indução simplificadora irriga uma parte considerável da nossa forma de pensar e de concluir. A sua regra é simples. Por exemplo, se encontramos dois corvos negros, somos tentados a concluir que todos os corvos são negros.

1. Até aqui os corvos que contei na Inhaca são negros
2.[É muito natural que todos os corvos da Inhaca tenham a mesma cor]
3.Os corvos da Inhaca têm a mesma cor
4.Todos os corvos da Inhaca são negros


Apliquemos agora a fórmula da seguinte maneira:

Irregularidades
1. Até aqui encontrámos irregularidades em 100 mesas de voto
2.[É natural que todos as mesas de voto tenham irregularidades]
3.Nas eleições moçambicanas tem havido irregularidades
4.Todos as mesas de voto têm irregularidades

Fraude
1. Até aqui encontrámos 100 editais fraudulentos
2.[É natural que todos os editais sejam fraudulentos]
3. Nas eleições moçambicanas tem havido processos fraudulentos
4.Todos os editais eleitorais são fraudulentos

Neste tipo de indução, comum em muitas análises e generalizações  - incluindo as da Renamo -, estamos perante um pensamento que, filiando a "prova" na confiança acordada à premissa hipotética, a priori, 2, estabelece, com pretensão apodítica, a conclusão 4.

25 Outubro 2014

"O que é racismo?" lançado ontem em Luanda

Foi ontem lançado na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, em Luanda, capital de Angola, o número sobre racismo da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", editado pela Escolar Editora (autoria: Jaqueline de Jesus do Brasil, Paulo de Carvalho de Angola, Rosália Diogo do Brasil e Paulo Granjo de Portugal, à venda em Maputo),  graças ao empenho do sociólogo Paulo de Carvalho e ao préstimo da Escolar Editora. 
Na foto abaixo, da esquerda para a direita Paulo de Carvalho, co-autor do livro; sociólogo Víctor Kajibanga, apresentador do livro; Luzia Milagre, Vice-Decana da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto; e Etelvino Paulo, representante da Escolar Editora.
Recorde a coleção aqui.

Quintas eleições gerais de Moçambique (16)

Décimo sexto número da série. Escreveu um dia Clausewitz: "[...] a guerra já não é apenas um acto político, mas um verdadeiro instrumento político, uma continuação das relações políticas, uma realização destas por outros meios." [Arte e Ciência da Guerra. Lisboa: Edições Maria da Fonte, 1978, p. 40]. Talvez seja no quadro dessa posição que Simon Allison defendeu que a Renamo usou a guerra como estratégia política. Aqui.
Adenda às 07:14: cabeçalho de um texto no Africa Confidential, aqui.
Adenda 2 às 07:42: recorde o boicote da Renamo após as eleições de Dezembro de 1999, aqui.
Adenda 3 às 07:46: deputados da Renamo ocuparam os seus lugares na Assembleia da República em 2010, desafiando a ordem de boicote dada pelo seu partido. Aqui.
Adenda 4 às 09:36: segundo o semanário "Savana" de 24/10/1014, através de um texto do jornalista Francisco Carmona, resultados provisórios mostram vitórias da Renamo em cinco províncias (Manica, Sofala, Tete,Zambézia, Nampula), mas, observa o jornalista, "juntando com os votos do MDM a oposição fica também com Niassa". Aqui. Segue-se um mapa inserto na edição 1085 do semanário:

"À hora do fecho" no "Savana"


Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Segue-se um extracto reproduzido da edição 1085, de 24/10/2014, disponível na íntegra aqui:
Nota: de vez em quando perguntam-me por que razão o ficheiro está protegido com senha e marca de água. Resposta: para evitar que os ávidos parasitas do copy/paste/mexerica o copiem, colocando-o depois no seu blogue ou na sua página de rede social digital com uma indicação malandra do género "Fonte: Savana". Mas, claro, um ou outro é persistente e consegue transcrever para o word certos textos, colocando-os depois no blogue ou na rede social, mas sem mostrar o verdadeiro elo. Mediocridade, artimanha e alma de plagiador são infinitas.
Pedido: caso possível, podem dizer-me se baixam com facilidade o texto via google? Obrigado.

24 Outubro 2014

Esta tarde em Luanda

Amplie a imagem clicando sobre ela com o lado esquerdo do rato.

Quintas eleições gerais de Moçambique (15)

Décimo quinto número da série. O renascimento político e eleitoral da Renamo vai, certamente, ser objecto de muita análise. Há, desde já, um trabalho de Simon Allison sobre o tema e que coloca a guerra civil desse partido como estratégia eleitoral - confira aqui.
Adenda às 05:06: confira as declarações de observação (observer statementsaqui.
Adenda 2 às 11:56: "Os vários casos de taxas de participação muito elevadas dão indicações de enchimento de urnas. Participação acima de 80% dos eleitores recenseados é improvável em Moçambique, especialmente nas áreas rurais, onde as pessoas têm de caminhar longas distâncias. É muito mais provável que as urnas tenham sido enchidas – colocando os boletins não utilizados nas urnas, ou simplesmente alterando o edital, após o término da contagem. Isso acontece facilmente nas áreas onde os partidos da oposição não conseguiram colocar delegados ou membros de mesas para fiscalizar o processo. As taxas mais elevadas são registadas em Gaza, onde cinco distritos apresentam taxas muito elevadas de participação: Chicualacuala 89%, Chigubo 82%, Mabalane 80%, Massangena 96% e Massingir 92%. Estes resultados tornam-se mais suspeitos se comparados aos dados outros distritos de Gaza, igualmente leais a Frelimo, como é o caso de Mandlakazi onde a afluência às urnas foi de 56%." - Boletim sobre o Processo Político em Moçambique (72), com data de hoje, editado por Joseph Hanlon.
Adenda 3 às 11:58: "Longe de ser uma sentença de morte da Renamo, o reinício das hostilidades foi um golpe de mestria política. O que permite descrever a Renamo como um partido que foi capaz de tomar medidas reais para defender seus princípios, que considerou serem para o bem de Moçambique como um todo. A retórica de Dhlakama na campanha eleitoral ganhou repercussão, e enfatizou valores como a tolerância e a unidade, que contrastam fortemente com a Frelimo e sua abordagem conosco-ou-contra-nós." - no boletim citado na adenda anterior.
Adenda 4 às 15:50: "A abstenção continua a ser um forte adversário das eleições moçambicanas. A CNE ainda não divulgou dados conclusivos sobre a matéria na votação de 15 de Outubro, mas os números até aqui disponíveis são reveladores da fraca participação política no país. " Aqui.

O que é filosofia africana?

Em epígrafe o título do 11.º número da coleção "Cadernos de Ciências Sociais", a entrar na Escolar Editora no dia 7 de Novembro. Os autores são o sociólogo angolano Víctor Kajibanga, o filósofo brasileiro Euclides Mance e o filósofo e teólogo brasileiro Reinaldo de Oliveira, pela sequência das fotos abaixo:
No prelo há dois números, a saber: "Estão as línguas nacionais em perigo?" - autoria dos linguistas Cristine Severo do Brasil,  Bento Sitoe de Moçambique e José Pedro de Angola, pela sequência das fotos abaixo:
E "O que é violência social?" - autoria: médico e psiquiatra brasileiro Jorge Márcio de Andrade, médico legista moçambicano Eugénio Zacarias, sociólogo brasileiro Ricardo Arruda e sociólogo angolano-luso-canadiano Daniel dos Santos, pela sequência das fotos abaixo:
Entretanto, é hoje lançado em Luanda o número "O que é racismo?", conforme convite abaixo:
Outros números estão em preparação. Recorde a coleção aqui.
A coleção "Cadernos de Ciências Sociais", editada pela Escolar Editora, pretende dar respostas a perguntas simples sobre temas complexos da vida social, com textos combinando simplicidade e rigor de autores de vários quadrantes do imenso mundo falante de português. Nela apresento alguns dos grandes cientistas e intelectuais de ramos diversos que escrevem nessa língua no planeta, inscritos num fórum da coleção que cresce dia após dia.

Sobre o mexeriquismo político (1)

São muitas as formas e muitos os canais do mexeriquismo político, cheio de malquerenças pessoais, de intrigas sem fim, de raivosas emoções sem perímetro. O objectivo desta curta série é modesto: lançar o tema e fornecer alguns exemplos.